O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 29/04/2020

Dor. Angústia. Solidão. Amargura. Esses são os sentimentos experimentados diuturnamente pelas pessoas que sofrem de com a depressão. Ao acometer uma parcela significativa da população mundial, principalmente os jovens, essa psicopatia, de sobremaneira negligenciada, já é considerada o mal do século XXI, dada a sua disseminação avassaladora no Brasil hodierno. Nesse contexto, evidencia-se a necessidade de compreender e tratar esse distúrbio psicológico no fito de mitigá-lo.

A priori, cabe ressaltar que a depressão se caracteriza por uma tristeza sem fim. Comumente essa moléstia é confundida com chateações e situações corriqueiras do dia a dia, o que leva as pessoas a banalizarem esse mal, segundo especialistas. Ainda, de acordo com Drauzio Varella, médico brasileiro, essa doença é grave e possui sintomas variados, o que dificulta o seu diagnóstico, além de acometer as pessoas nas fases de mudança da vida, ou seja, de maior estresse. Nesse sentido, a juventude é terra fértil para o desenvolvimento dessa psicopatia, pois é nesse estágio da vida que os simples desafios são encarados como verdadeiros dilemas, normalmente.

A posteriori, segundo dados da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, entre os jovens, e com maior incidência no sexo feminino, acima de 10 até 25% dos pacientes apresentam quadro clínico depressivo, percentuais próximos ao de doenças como hipertensão e síndromes respiratórias. Porém, ao contrário dessas patologias, o diagnóstico precoce dessa psicose - dada a complexidade dos sintomas - e o tratamento necessário com acompanhamento médico não são efetivados, haja vista a evolução dos casos, na maioria das vezes. Denota-se, então, que a depressão é, invariavelmente, sonegada da sociedade e tratada como assunto tabu. Nessa perspectiva, tem-se observado o aumento de casos de depressão na sociedade brasileira como resultado da falta de políticas públicas de saúde, sobretudo entre os jovens, para o tratamento dessa doença mental.

Urge, portanto, a necessidade de se discutir a depressão com a sociedade e viabilizar o seu efetivo tratamento. Para tanto, o Ministério da Educação deve engendrar campanhas publicitárias sobre a necessidade de conscientização sobre o tema no âmbito familiar e escolar, no intuito de quebrar o tabu que envolve o assunto. Por meio, também, de atividades lúdicas, abstrair o imaginário dos jovens e da sociedade para a importância do cuidado com a saúde mental. Ademais, o Ministério da Saúde deve qualificar todos os seus profissionais com capacitação periódica feita por psiquiatra, no afã de uniformizar os atendimentos à população com serviços de qualidade que mitiguem os transtornos psicológicos da população em todas as fases da vida e com foco na juventude.