O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 09/05/2020
No século XIX, popularizou-se, na literatura brasileira, o Ultrarromantismo, também chamado de “mal do século”, cujos preceitos incluíam a valorização do ego em detrimento do coletivo, além de um intenso pessimismo. Isso se deve ao fato de que os autores, enquanto desajustados à sociedade, idealizavam, em seus poemas, o sonho e a morte, de forma a fugir de uma realidade que, respaldada pelos ideais capitalistas, exige deles uma eficiência nociva à saúde. Analogamente, na atualidade, nota-se que as inseguranças dos poetas ainda persistem: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, um em cada cinco adolescentes sofre com algum transtorno mental. Faz-se crucial, então, a desmistificação do problema a fim de que se possa criar medidas capazes de mitigá-lo.
Antes de tudo, constata-se que as redes sociais influem significativamente no comportamento dos jovens, uma vez que, conforme dados divulgados pelo Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI.br), cerca de 82% das crianças e adolescentes fazem uso delas. Contudo, mesmo que sejam vistas como um ambiente descontraído, tornam-se maléficas ao desenvolvimento dos adolescentes, à medida que perpetuam um estilo de vida irreal e impõem padrões de beleza e alimentação que, embora pareçam satisfatórios, são prejudiciais ao bem-estar. Dessa forma, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han pontua, em sua obra “Sociedade do cansaço”, que a sociedade hodierna preza tanto pelo desempenho e pela multitarefa, representados pelos “likes” nas redes sociais, que, quando essas expectativas não são atingidas, os jovens frustram-se e, por conseguinte, desenvolvem transtornos como a depressão.
Não obstante isso, observa-se que ainda há resistência no que concerne ao tratamento de doenças mentais, visto que são comumente associadas a um sinal de fraqueza ou a um infortúnio exclusivo aos “loucos”. Tal concepção revela-se, no entanto, infundada, já que a depressão consiste em uma disfunção bioquímica, ou seja, ocorre, quando há uma desregulação na quantidade de neurotransmissores. Esses, por sua vez, são substâncias responsáveis pelo envio de informação às células e pela regulação das emoções humanas, inclusive o prazer. Depreende-se, pois, que os estigmas sociais devem ser quebrados, dado que os transtornos mentais são condições naturais.
É imprescindível, portanto, que o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, institua canais de atendimento psicológico gratuitos nas escolas, onde a pressão por proatividade agrava-se, por meio da capacitação e contratação de psicopedagogos que, não só serão responsáveis pelo monitoramento do rendimento dos alunos, como também criarão um ambiente acolhedor em que eles possam interagir e desenvolver suas emoções positivamente. Essas medidas têm como intuito o combate ao “mal do século”, tão intrínseco à arte e à natureza humana.