O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 12/05/2020
A depressão na infância e adolescência tem sido foco de estudos internacionais devido ao aumento de sua prevalência nos últimos anos. Além disso, pesquisas recentes relacionam a depressão na vida adulta com fatores de risco na gestação e na primeira infância. O tema foi abordado no novo documento científico produzido pelo Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
É nessa fase da vida que o desenvolvimento social e escolar evolui a pleno vapor. Daí porque a depressão pode ser particularmente perigosa quando ocorre entre os 12 e 17 anos “O adolescente é mais suscetível a apresentar um quadro grave rapidamente”, atesta Boarati. “Ele tem menos recursos que um adulto, que já está encaminhado na vida, para lidar com o problema”. Infelizmente, os sintomas depressivos são acompanhados de uma tendência a consumir álcool e maconha exageradamente e aumentam o risco de suicídio.
Agora um dado chocante: o levantamento americano aponta que as mortes por suicídio na faixa etária dos 10 aos 14 anos superam as por acidentes de carro. “Não temos ideia da extensão desse problema aqui no Brasil”, adverte Boarati. “Muitas vezes os casos não são divulgados. Mas notamos que estão de fato crescendo”. Ele observa que faltam serviços especializados para atender esse público, especialmente em postos de saúde próximos a escolas. Ao reconhecer sintomas suspeitos em um jovem, tenha sensibilidade, mas busque ajuda.
Em geral, o diagnóstico segue os critérios descritos no Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM–V), mas destaca-se que estes foram delineados para a depressão na população adulta e que os sinais e sintomas podem ser diferentes na infância e adolescência.
No geral, podemos surgir sinais e sintomas como o sentimento de culpa ou baixa autoestima; dificuldade de tomar decisões; distúrbios do sono, como sonolência excessiva, insônia, despertar precoce; humor deprimido, apatia; desinteresse pelas atividades habituais e por brincadeiras; redução da energia ou irritabilidade/agitação; dificuldade de concentração; alterações do apetite, desde hiperfagia à anorexia e alterações do peso; agitação psicomotora ou lentidão; pensamentos suicidas, comportamento de auto injúria.
Para as crianças com diagnóstico de depressão, a criança e a família devem ser encaminhadas à psicoterapia. O treinamento de pais e parentes para proporcionar um ambiente afetuoso, harmonioso, estimulante, com manejo comportamental equilibrado, brincadeiras e reforço positivo é fundamental para a recuperação clinica e prevenção de recidivas na infância.