O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 11/05/2020
No século XVIII, surgiu uma vertente literária intitulada “Mal do Século”, voltada à romantização da angústia humana e do sofrimento. Nesse período, o autor Goethe escreveu a obra “O sofrimento do jovem Werther” que levou milhares de jovens ao fim trágico semelhante ao protagonista do romance: o suicídio. No livro “November of the Soul”, de George Howe, é expressa a ideia de que a melancolia e a depressão sejam contagiosas, e que os vírus dessa epidemia sejam a mídia e a exposição de situações que sirvam como uma espécie de gatilho. Surge, portanto, a necessidade de identificar as causas da depressão entre os jovens brasileiros e buscar extingui-las, a fim de que o número de casos não aumente ainda mais.
Primeiramente, ao parafrasear o titulo do livro de Cesar Romão “O seu futuro depende de você”, pode-se sentir o peso das palavras e de antemão observar o porque de tanta ansiedade, nervosismo e depressão atualmente. O adolescente não está preparado para tanta responsabilidade sem um prévio conhecimento e preparação, tanto por parte do meio educacional quanto por parte da família. Esse tipo de questão deve ser trabalhada e não inferiorizada, impedindo assim uma “sociedade do desempenho”, como no livro de Byung-Chul Han, em que se cobra dos indivíduos o comportamento de uma máquina.
Também por consequência da tal “sociedade do desempenho”, há uma pressão estética que propaga padrões de beleza e de vida como ideal a ser seguido. A situação se torna, então, prejudicial para a juventude, visto que é nessa fase em que ocorre a construção de identidade, segundo a neurociência. De acordo a pediatra e psicanalista Françoise Dolto, os seres humanos têm dois tipos de imagem em relação a si mesmos: a real, que se refere às características físicas, e a simbólica, que é um sentido íntimo de si mesmo. Com isso, os indivíduos tendem a se esconder atrás de máscaras e de um estilo de vida superficial. Para o filósofo Pierre Lévy, a internet é uma espécie de catalisador, capaz de acelerar reações positivas e negativas. Com o desenvolvimento das redes sociais, se torna muito mais fácil a divulgação desse padrão ideal de vida, e da adesão dessas ideias pelos jovens.
Portanto, tendo em vista os apectos mencionados, faz-se necessário que os Ministérios da Educação e da Saúde insiram eventos nas escolas, por meio de profissionais como sociólogos e psicólogos, para que famílias e professores identifiquem, entendam e combatam os fatores sociais que causam depressão nos jovens. Com esses mesmos profissionais, cabe ao Poder Executivo garantir o cumprimento dos direitos constitucionais e criar centros especiais de combate a essa doença, no intuito de eludir o avanço da prostração e debater a ideia de vida superficial, para que os jovens tenham uma relação saudável com as redes sociais e tais gatilhos não aumentem os casos de depressão no Brasil.