O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/09/2020

Segundo dados levantados pelo Ministério da Saúde em 2019, os atendimentos ambulatoriais pelo Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados à depressão entre jovens na faixa etária de 15 a 29 anos, cresceram em 115%. Nesse contexto, avanços da modernidade presentes na rotina de muitos, como as redes sociais, podem ser responsáveis por alavancar a depressão ao passo em que se tornam propulsores de sentimentos como inveja e tristeza entre os usuários. Além disso, mesmo quando adolescentes detectam mudanças em seu comportamento e sentem-se infelizes, o preconceito que existe contra distúrbios psiquiátricos faz com que se evite reconhecer que estão sofrendo da doença e que precisam de ajuda dos pais e de profissionais especialistas.

Inicialmente, deve-se atentar aos efeitos psíquicos causados pelo uso indiscriminado da internet. Em muitos casos, há um sentimento de impotência, de não conseguir atuar sobre o próprio corpo e de não conseguir realizar os feitos mais desejados no tempo considerado ideal pela sociedade, como ser aprovado no curso dos sonhos. Quando aplicativos como Facebook e Instagram lançam um arsenal de histórias e perfis embalsamados por filtros e legendas contagiantes, intensifica-se uma onda de comparações. Segundo o psiquiatra Luiz Vicente de Melo, da Universidade de São Paulo, o excesso de elementos processados pelo cérebro leva a uma sobrecarga de conduções elétricas e esta provoca o chamado estresse cognitivo, responsável por doenças como a depressão.

Outrossim, um segundo fator de importante destaque é a resistência em se falar sobre saúde mental. Concomitante à percepção de que se sentem mais irritados e/ou que não têm a mesma disposição em relacionar-se socialmente, os jovens enfrentam o medo de compartilhar essas mudanças com quem poderia ajudá-los a enfrentar essa realidade. Isso ocorre porque existe um grande estigma envolvendo temas como a depressão atualmente. Ocorre a ideia infundada por parte até mesmo de familiares de que a doença mental é uma falha de caráter ou de personalidade, quando, na verdade, trata-se de uma condição física com repercussão psíquica, a qual precisa ser tratada com  psicoterapia e muita união.

Destarte, compreende-se que a depressão entre jovens pode diminuir se algumas medidas forem adotadas. Cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas na TV e mídias sociais, sobre a importância de intercalar o uso da internet com momentos de leitura, atividade física e sobre o tempo adequado de sono, o que diminui a exaustão dos sistemas sensoriais. Já o Governo Federal, deve realizar mais concursos para contratação de psicólogos e instaurar grupos de apoio em todos os níveis de ensino para identificar precocemente distúrbios psíquicos e encaminhar para os centros de atenção psicossocial. Tais medidas fortalecerão a saúde mental tanto dos jovens quanto de suas famílias.