O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 26/06/2020

“13 reasons why”, série da Netflix, gira em torno de uma menina que se suicida. Nela, Hannah Baker, antes de tirar sua vida, fizera treze fitas com as razões de seu ato - explicitava, de forma nítida, a depressão da personagem. Não obstante desse cenário, o Brasil apresenta uma crescente incidência de jovens diagnosticados com depressão. Dessa forma, é necessário entender como a pressão social favorece essa incidência e como a baixa abordagem escolar sobre o tema dificulta o diagnóstico.

Primeiramente, a sociedade contribui para o crescimento do transtorno afetivo em questão. De acordo com uma matéria veiculada pela revista digital G1, em 2019, a pressão familiar para que os filhos decidam a carreira que irão seguir, antes de concluírem o ensino médio, aumenta a taxa de depressão entre os jovens e favorece o suicídio. Desse jeito, a necessidade, imposta pela sociedade, do jovem ter que tomar escolhas importantes, urgentemente, é uma porta de entrada para que eles fiquem doentes. Consoante ao sociólogo Durkheim, um indivíduo está submetido a um pensamento coletivo, neste caso, uma pressão definida como fato social patológico. Logo, enquanto os indivíduos, sob esse fenômeno, não se adequarem as exigências impostas a eles, os números de casos de depressão aumentarão.

Ademais, o tratamento dessa psicopatologia como tabu pelas escolas atrapalha o diagnóstico. Segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS -, o Brasil é o país com mais casos de jovens com depressão da América Latina. No entanto, ainda há muitos indivíduos não diagnosticados por ser um assunto pouco abordado nas escolas. Essas instituições são responsáveis pelos seus alunos, devendo não só ensinar disciplinas curriculares, mas zelar pela saúde física e mental deles. Desse modo, devem abordar sobre enfermidades recorrentes, com frequência, auxiliando-os a buscarem ajuda médica de maneira precoce. Nota-se, pois, que enquanto os jovens não tiverem contato de forma precoce, nas escolas, eles tardarão a buscarem ajuda profissional e assim ter o diagnóstico.

Medidas, portanto, para minimizar os impactos de fatores sociais e da baixa abordagem escolar nessa problemática, são necessárias. Assim, as mídias televisivas devem expor para a sociedade a crescente taxa de jovens com depressão devido a pressão impostas a eles, por meio de programas televisivos. Neles, mostrarão dados estatísticos e as consequências dessa enfermidade, com o afã de formarem uma sociedade menos exigente. Além disso, as escolas necessitam abordar sobre essa doença frequentemente e contar com a disponibilidade de psicólogos para atender os alunos, a fim de terem alunos que possam buscar auxilio profissional ao perceberem os sintomas. Dessa maneira, casos como da Hannah Baker poderão ser diminuídos, no Brasil.