O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 31/07/2020
No folclore brasileiro, a lenda dos sacis retrata seres místicos cuja uma das principais intenções é fazer da vida dos outros um tormento. Assim, é a depressão para muitos jovens brasileiros, os quais encontram-se sujeitos à doença. É paradoxal, pois, em pleno século XXI -dito como democrático-, a presença tecnológica, a negligência governamental e o comportamento coletivo permitam o aumento da depressão na população juvenil.
Convém analisar, inicialmente, a influência das tecnologias na problemática. Nesse viés, partindo da Guerra Fria, aos poucos, o incremento tecnológico passou a ser posto para uso civil, a fim de facilitar o modo de vida. Como consequência, as pessoas tornaram-se mais expostas a uma forma de ideal e perfeita, proferida por influenciadores digitais. Logo essa falsa propaganda de sucesso, cada vez mais vigorosa, tende a manipular um indivíduo a ser mais insatisfeito e inseguro, fora, é claro, torná-lo mais propenso ao isolamento social, fortalecendo o desenvolvimento de uma depressão.
Em segundo plano, é lícito mencionar a contribuição do Governo no combate à depressão nos jovens. Nessa conjuntura, a Constituição Federal de 1988 garante o direito à saúde mental, no entanto, o reflexo hodierno representa uma contradição a esse pressuposto. Isto porque conforme o crescimento de casos como do Youtuber Whindersson Nunes, que desenvolveu a depressão, o Estado que, sem condição de executar metas para erradicar essa doença, é um dos responsáveis por esse óbice.
Em terceiro plano, a postura da sociedade ainda é um impasse à solução do problema. Infelizmente, a existência desse comportamento é espelho dos padrões criados pela consciência coletiva no passado, da qual a visão acerca da depressão era tratada como uma frescura. Desse modo, uma mudança nos valores sociais é fundamental para resolver essa questão, pois, seguindo o Iluminismo, quando o corpo social move-se, ele conquista o que quer.
Infere-se, portanto, a relevância de mitigar os desafios supracitados. Sendo assim, o Governo Federal, por meio das verbas públicas, deve construir clínicas especializadas em tratamentos contra a depressão, com o objetivo de atenuar a doença, além de encorajar os jovens a buscarem por ajuda. Ainda cabe à escola, através de ações socioculturais, criar projetos como debates, longas-metragens, palestras e anúncios sobre a nocividade da depressão, para que os estudantes -por conseguinte- tornem-se adultos mais informados. Desse jeito, a “saci da depressão” incomodará menos jovens.