O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 06/08/2020
Há muito banalizada, a depressão é uma das doenças mais incapacitantes do século XXI, além de endêmica na população jovem. Neste sentido, o Brasil está entre os países com maior índice de jovens depressivos no mundo. Tal situação vem se tornando cada vez mais clara, devido à crescente valorização do debate a respeito de saúde mental e do uso frequente de redes sociais como fatores influentes no bem-estar do indivíduo e do coletivo.
Em primeiro lugar, deve-se destacar que a visão de saúde no Brasil ampliou-se, de forma que novas gerações estão cada vez mais conscientes de aspectos que contribuem para ou limitam-na, facilitando a procura por diagnóstico e tratamento da depressão. No entanto, é incontestável que o Brasil sofre ainda de graves problemas quanto à inclusão e o acolhimento de grupos oprimidos, o que reflete na integridade da saúde dos cidadãos. Desta forma, o questionamento de discrepâncias sociais, como o machismo, o racismo e o capacitismo, é necessário, pois interferem tanto no âmbito social quanto no contexto emocional de cada indivíduo, aumentando o risco de depressão na juventude. Percebe-se que a melhora da qualidade de vida da população brasileira perpassa pelo debate sobre saúde mental a partir dos mais jovens.
Há de se considerar que um dos maiores e mais atuais entraves para a reduzir a depressão entre jovens é o uso inapropriado de redes sociais. Ao mesmo tempo um meio que estreita conexões entre os usuários, também gera inseguranças infundadas na autoestima, ao criar um sistema baseado na necessidade de aprovação de “seguidores”, através de curtidas e comentários, e exposição constante. Certamente estas condições criam um terreno fértil para auto comparação e autodepreciação, visto o contraste entre a realidade de um jovem em formação e a vida idealizada nas redes sociais. Esta alienação é substancialmente grave para o desenvolvimento do indivíduo, pois é notório que muitos comportamentos estão sendo moldados com base no que é apresentado em meios de comunicação digitais.
Diante do exposto, observa-se que a depressão entre jovens é um quadro bastante debatido e estudado, mas que cresce continuamente. Para ajudar a reduzi-lo, as famílias e instituições de ensino básico devem incentivar os jovens a desenvolverem resiliência emocional e autoconhecimento através do investimento em suporte psicoterapêutico e ensino voltado a estas habilidades. Assim, pode-se contribuir para frear o aumento de depressão entre jovens no Brasil.