O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 05/11/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da depressão no Brasil. Isso ocorre tanto pelo uso descontrolado das redes sociais, quanto pela desinformação a respeito da doença.
Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução, ao uso excessivo das redes midiáticas. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a desinformação social sobre a depressão. Em outras palavras, a doença é tratada como um estigmatizante, pois para muitos a depressão é uma questão de escolha, o que dificulta a detecção dessa síndrome por parte de muitas famílias de jovens atingidos. Sob essa lógica, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirma que a parcela atingida pelo trantorno psíquico, não é suficiente para a criação de políticas públicas própria para esse grupo.
Depreende-se, portanto, que medidas estrátegicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com o Ministério da Saúde devem desenvolver palestras em escolas, para alunos do Ensino Médio, por meio de entrevistas com vítimas do problema, bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais de influenciadores digitais, com o objetivo de trazer maior lúcidez sobre a depressão entre os jovens e atingir um maior público. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para as diferenças, pois, como constatou Hannah Arendt: “A pluradidade é a lei da terra”.