O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 08/09/2020
Na obra “As vantagens de ser invisível”, o escritor Stephen Chobosky conta a vida de um adolescente introvertido que luta com depressão, e evidencia a importância do apoio emocional às pessoas que enfrentam fases obscuras. Semelhante à narrativa, no contexto brasileiro, o aumento desse tipo de transtorno entre os jovens, seja pela inserção ao ambiente cibernético, seja pela inércia governamental, além de ser pouco abordada, também enfrenta forte preconceito da sociedade. Nesse aspecto, o agravamento de tal mazela é inconcebível e merece um olhar mais amparador de enfrentamento.
A priori, o aumento de transtorno nessa faixa etária deve-se à elevada conectividade atual. Segundo o Comitê Gestor de Internet, cerca de 86% dos jovens usam as redes sociais e, ao considerar tal ferramenta como meio para a exposição, os indivíduos possuem a autonomia para escolher o que vão publicar, o que resulta na construção de aparências que, muitas vezes, não condizem com a realidade. Diante disso, a idealização de estilos de vida “perfeitos” - marcados pela ostentação e rotinas saudáveis - despertam nos jovens uma frustração e/ou um estímulo à metas inalcançáveis que, consoante à lógica do filósofo Schopenhauer, podem ocasionar o sofrimento e, nesse cenário, corroborar para que 21% dessa população na país apresente depressão, de acordo com a Universidade Federal de São Paulo.
Ademais, a inércia estatal em prevenir e informar o corpo social contribui para o alargamento da problemática. A desatualização da base curricular, criada ainda nos moldes da Revolução Industrial, em que o objetivo era apenas criar mão de obra, desconsidera os efeitos da evolução tecnológica: isolamento social e individualismo. Tal conjuntura, coincide com o estado de anomia do sociólogo Émile Durkheim, o qual a sociedade tende a se desestabilizar quando ocorrem mudanças na realidade, já que a falta de abordagem sobre questões ligadas à inteligência emocional, além de despreparar os jovens para lidar com as pressões do cotidiano, também mantêm a sociedade inerte perante a estigmatização contra indivíduos que sofrem com depressão. Em decorrência, os afetados não se sentem amparados a procurarem ajuda especializada, o que colabora para o agravamento do quadro clínico.
Logo, no Brasil, o aumento da depressão entre os jovens é um entrave que precisa ser solucionado. Para tal, urge que o Ministério da Educação atualize o currículo do ensino básico, incluindo disciplinas que tratem sobre a saúde mental e orientem-os a se comportarem diante das pressões sociais, a fim de prepará-los para enfrentar problemas sem se abalarem psicologicamente. Outrossim, as redes sociais devem conscientizar a sociedade, mediante a criação de campanhas de ajuda emocional aos afetados e de combate a manipulação da autoimagem, de modo que essas pessoas se sintam amparadas e menos frustradas. Só assim, será possível superar o estado de anomia.