O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 27/09/2020

A história do jovem Gregor Samsa, protagonista da famosa obra “A Metamorfose”, de Franz Kafka, pode ser facilmente aplicada ao avanço da depressão entre os jovens brasileiros, uma vez que se assemelha a realidade de indivíduos afligidos por sentimentos de desprezo e solidão numa sociedade que negligencia a depressão como uma doença. Esse cenário tem como origem inegável o aumento exponencial do distanciamento nas relações sociais, visto que tal situação revela a fragilidade nas interações humanas de maneira mais profunda. Assim, o avanço de interfaces tecnológicas sociais enquanto reformulações das relações sociais, somada a uma educação formal alienante, alicerça essa questão como uma problema da atualidade.

Em primeiro lugar, observa-se que a reconfiguração das interações entre pessoas por meio de redes sociais, gera o aumento da depressão entre os jovens no Brasil. Isso ocorre porque são frequentes os discursos de normatividade de padrões estéticos e de comportamento nesses ambientes virtuais, afetando principalmente indivíduos jovens que são mais vulneráveis a aceitar esses discursos. Esse cenário é semelhante ao que defende o escritor Millôr Fernandes, para quem “Nada é mais falso que uma verdade estabelecida”, uma vez que evidencia que a imposição de padrẽs e verdades absolutas só favorecem grandes empresas midiáticas se beneficiando de pessoas que se martirizam a fim se de alinharem ao padrão vigente.

Além disso, é fundamental perceber que a negligência na educação formal enquanto formadora de postura social e emocional, em conjunto com uma mentalidade individualista alicerça o aumento da fragilidade de jovens em relação a períodos depressivos. Essa situação acontece porque tanto a escola quanto cursinhos veem a educação sob a ótica da competição do vestibular, alimentando discursos alienantes que criam um padrão hegemônico de comportamento intelectual. Esse pensamento aproxima-se da declaração do educador Paulo Freire, que afirmou que ”Quando a educação não é libertadora o sonho do oprimido é se tornar opressor” ao ilustrar que a estrutura educacional do Brasil reforça a hegemonia de comportamento e consequentemente deixa esses jovens propensos a depressão por desejarem, mas não se encaixarem nesse paradigma de normatividade.

Compreende-se, desse modo, que a falta de preparo psicológico e o distanciamento nas relações sociais são a razão do aumento da depressão entre jovens no Brasil. Portanto, o Estado, em mobilização com os Ministérios da Saúde e da Educação, deve promover uma política de bem-estar e, para isso, propor a criação de um Programa Nacional de Combate à Depressão na juventude, por meio de um projeto de lei a ser votado no Congresso, que promoverá como medida preventiva o debate sobre a necessidade de um uso mais racional e menos imersivo nas redes sociais, mediante a criação de campanhas publicitárias e projetos nas escolas a serem amplamente divulgados nas grandes empresas midiáticas, com a finalidade de constituir uma rede de apoio educacional e psicológicos para jovens no Brasil.