O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 06/11/2020
Escrito na segunda metade do século por Sylvia Plath, o livro “A redoma de vidro”, retrata um momento da vida de Esther, em que ela se vê apática aos acontecimentos de sua vida, sendo esse um dos sintomas da “famosa” depressão. De maneira análoga à história fictícia, essa doença atinge em média 300 milhões de pessoas em todo o mundo, e faz-se cada vez mais presente no Brasil, especialmente nos jovens, que estão em uma fase da vida conturbada. Considerada uma problemática vigente da contemporaneidade, o descaso social transcendente do preconceito velado para com as pessoas que são diagnosticadas com depressão e a falta de medidas governamentais de auxílio para com as mesmas são alguns dos fatores que contribuem com a perpetuação desse cenário negativo.
A princípio, é imprescindível abordar a recorrente mudança da mentalidade brasileira, que no passado via o tratamento de choque como uma das formas de cura para essa doença. Porém, apesar das formas de abordagem hoje serem diferentes, sendo elas terapia e remédios antidepressivos, boa parte da sociedade ainda taxa a enfermidade como algo que não passaria de exagero. Esse infeliz cenário associa-se à falta de informação, que faria o papel de orientar os cidadãos acerca dessa pandemia, que é causada pelo vírus da tristeza. Nesse sentido, tem-se o filme estadunidense “por lugares incríveis”, lançado em 2020, demonstrando de forma lúdica como o preconceito acerca de doenças mentais faz-se presente na atualidade.
Sob outra perspectiva, outro ponto que corrobora para a não diminuição da doença no Brasil, é o descaso por parte das autoridades, que não agem em prol do bem-estar geral. Segundo o chanceler alemão Otto Von Bismark, a política é a arte do possível, e sem ela, a humanidade entraria em caos. Nesse mesmo sentido, essa assertiva preconiza a necessidade de mudança por parte daqueles que retém o poder para tal. Porém, infelizmente, a nação demonstra que apesar de tentativas de mudança, como é o caso do Centro de Valorização da Vida (CVV), responsável por acolher gratuitamente pessoas com depressão, não é suficiente para combater essa triste realidade.
Em vista dos fatos supracitados, torna-se indubitável que novas mudanças ocorram. Para isso, o Ministério da Saúde, deve apresentar um novo projeto de lei que por meio da Câmara dos Deputados possa entrar em vigor. Nesse projeto, o Sistema Único de Saúde (SUS), criaria um projeto chamado de ‘ajuda jovem", no qual seriam disponibilizados profissionais da saúde mental para atender os adolescentes de forma gratuita dentro das escolas e universidades. Também, objetivando erradicar o preconceito da população, por meio da mídia, seriam feitas propagandas para transmitir informações acerca da doença. Finalmente, espera-se que assim a obra de Plath seja de fato apenas ficcional.