O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 20/12/2020

Realidade Distante

Em 1792, o médico francês Philippe Pinel desenvolveu estudos acerca do Transtorno Depressivo e contribuiu para que essa doença fosse tratada como prioridade. Todavia, a negligência em torno da depressão mostra que a sociedade ainda está distante de experimentar a conquista iniciada por Pinel. Com efeito, a visão reducionista sobre o transtorno e a omissão estatal precisam ser descontruídos.

A princípio, há de se combater a ideia de que a depressão seria uma pseudo-doença. A esse respeito, as características da depressão foram relacionadas a sentimentos durante o século XIX, sobretudo pelos escritores da Geração Ultrarromânica. Ocorre que o imaginário contemporâneo ainda nutre a visão equivocada e reducionista de que esse transtorno mental grave é uma sensação passageira, tal como descreviam os poetas românticos, o que inviabiliza o reconhecimento da doença pelo paciente. Assim, nao é razoável que a depressão seja negligenciada pela sociedade contemporânea.

De outra parte, é urgente que o brasileiro valorize sua saúde mental, cuja deficiência dá ensejo à depressão. Nesse viés, na obra “O Mal-estar da Civilização”, Sigmundo Freud desenvolveu o conceito de Cultura de Sucesso, segundo o qual o indivíduo moderno deve ter êxito em todas as tarefas que se propõe a fazer, e essa imposição seria capaz de subjugá-lo ao mal-estar da modernidade. Essa busca frustada pelo sucesso constante, tal como Freud descreveu, se mostra frequente no Brasil, e a sua principal consequência é a depressão. Nesse sentido, é necessário que a Cultura de Sucesso - denunciada pelo Pai da Psicanálise - dê lugar ao bem-estar da mente, sob pena de uma das mais graves doenças mentais segundo a OMS: a depressão.

Impende, pois, que indivíduos e instituições públicas cooperem para combater a depressão. Para isso, os indivíduos, manifestando seu senso crítico, devem combater a visão romantizada do Transtorno Depressivo, por intermédio de conteúdos nas mídias sociais, a fim de que seja descontruída a visão de pseudo-doença. Por sua vez, o Ministério da Saúde precisa fomentar o valor da saúde mental, por meio de aulas interdisciplinares realizadas com frequência, para mostrar como o bem-estar psicológico é capaz de prevenir os casos de depressão, de modo que o combate proposto por Pinel deixe de ser uma realidade distante.