O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/12/2020

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando se observa o aumento da depressão no Brasil. Dificulta-se, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, os quais estão relacionados não só à ausência do Estado, como também à participação dos jovens nas redes sociais.

Deve-se destacar, de início, a ausência de medidas governamentais para combater tal problemática. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar da população. No entanto, nota-se, no Brasil, que o aumento da depressão entre os jovens rompe com as defesas do filósofo iluminista, uma vez que não há um sistema público de qualidade que combata com eficiência os distúrbios mentais dessas pessoas. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno terceiro milênio, a taxa de depressão tenha aumentado e que esses cidadãos fiquem com a sua saúde prejudicada e desamparada.

Ademais, é fundamental apontar a vida no meio virtual como impulsionadora do problema no Brasil. Diante disso, segundo dados divulgados no site Super Interessante, o Instagram é considerado a rede social mais nociva à saúde mental, além de ser a preferida por mais de 60% dos usuários até 30 anos. Diante de tal exposto, a vida e corpos perfeitos compartilhados por influenciadores impactam diretamente na saúde mental de milhões de usuário, os quais sentem-se pressionados a terem um corpo dentro dos padrões de beleza ou uma vida luxuosa e perfeita, na qual não há problemas e frustrações. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar, pois essas metas inatingíveis acabam por serem causadoras da depressão e de outros distúrbios mentais nos jovens.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos referentes à falta de políticas públicas e ao mau uso das redes sociais. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Saúde, por intermédio de consultas e palestras, combata a crescente onda de depressão no país. Sob esse viés, é necessário que haja um número de profissionais qualificados em todas as cidades brasileiras, os quais devem consultar as pessoas que precisem de ajuda psicológica. Além disso, as palestras servirão como forma de educar a população sobre os perigos das idealizações nas redes, de modo que mostrem que a vida vai muito além do que se é mostrada na internet. Assim, se consolidará uma sociedade mais saudável, na qual o Estado desempenha corretamente seu papel, tal como afirma Rousseau.