O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/01/2021

A série estadunidense “Os Treze Porquês” conta a história de Hannah Baker, uma adolescente depressiva que acaba por cometer suicídio. Essa temática chama atenção para o avanço da depressão - considerada como o mal do século pela Organização Mundial da Saúde - entre os jovens brasileiros, quadro grave que não é combatido efetivamente pelas instituições sociais do país. Portanto, se faz necessária a análise desse problema, que tem raízes na falta de debate acerca do assunto e na fragilização dos laços sociais na modernidade.

Em primeira análise, a carência de diálogo sobre saúde mental no Brasil é um entrave na luta contra a depressão, na medida em que impossibilita a desconstrução de estereótipos relacionados à doença. Tais estereótipos são herança do pensamento cristão medieval, o qual considerava quadros depressivos como preguiça, um pecado capital, ideia errônea que é alimentada por boa parte da população brasileira até hoje e torna os doentes vítimas de preconceito. Nessa lógica, o filósofo grego Sócrates apontava a dialética - o debate racional - como a principal maneira de produzir conhecimento, por isso, estimular a discussão do assunto na sociedade é essencial para confrontar as ditas ideias equivocadas e combater a depressão de forma eficiente.

Outrossim, a vulnerabilização das relações sociais contribui para o agravamento desse transtorno psicológico. Sobre isso, em sua obra “O Suicídio”, o sociólogo Émile Durkheim afirma que a depressão tem como uma de suas causas a desarmonia entre o indivíduo e a sociedade. Ainda, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que, na era atual do capitalismo industrial, as interações humanas estão cada vez mais superficiais e volúveis. Dessa forma, unindo as ideias de Bauman e Durkheim, infere-se que a fragilização dos laços sociais provoca desequilíbrio entre o indivíduo e aqueles que o rodeiam, e essa situação impacta diretamente na saúde mental dos jovens e se configura, por consequência, como causa para a depressão.

Sendo assim, é imprescindível que as instituições sociais brasileiras, especialmente a escola e a família, atuem em conjunto para mitigar essa problemática. Logo, os espaços de ensino devem promover debates e palestras que tratem sobre saúde mental e inteligência emocional, com o objetivo de elucidar esses temas e de combater preconceitos em relação a eles. Esses eventos devem contar com a participação dos responsáveis dos alunos, a fim de fortalecer os laços familiares e as relações humanas, e de auxiliar os jovens no enfrentamento de possíveis problemas psicológicos. Dessa forma, será possível avançar no combate ao aumento da depressão entre os jovens brasileiros.