O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 05/01/2021

Na obra literária alemã “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Johann Goethe, o protagonista Werther encontra no suicídio uma forma de livrar-se das dores de um amor não-correspondido. A temática da infelicidade fez com que parte do jovem público-leitor, no século XVIII, se sentisse representado pelos anseios do personagem.Neste sentido, percebe-se que a problemática da depressão entre os jovens é um desafio para a  saúde pública que já se alastra ao longo dos séculos.No Brasil, a taxa de depressão entre os jovens faz-se crescente, evidenciando a urgência de alteração deste cenário preocupante.

Em primeiro lugar, a depressão é, por vezes, uma consequência a um quadro patológico que pode levar o indivíduo ao suicídio.Sabe-se que tal doença é um mal que atinge cerca de 20% da população brasileira, segundo dados da revista Scielo, 2019. Sob o viés bioquímico, envolvido na condução dos estímulos em zonas de prazer e recompensa cerebral, a diminuição de neurotransmissores  relacionados a tais, são altamente afetados, gerando apatia à vida. Entre os fatores sociais, os adolescentes podem sentir-se pressionados ou rejeitados em sociedade: entre casos de maior incidência estão: o bullying nas escolas à populção LGBTQI+, discriminação à fenótipos afro ou obesos.Em virtude disso, quando essas pessoas se sentem incompreendidas e não têm o apoio de pessoas queridas, a introspecção, auto-mutilação e até mesmo o suicídio lhes convém como uma escapatória às opressões que rodeiam a sua rotina.

Todavia, outro fator alarmante é a ausência de intervenção familiar. Infelizmente,a falta de um diálogo honesto e aberto dentro de suas casas, por conseguinte, costumam gerar a busca por apoio na internet- território de nínguém- ao qual, pessoas de má índole encontram em adolesentes fragilizados uma forma de atrai-los a fazerem parte de um grupo e icentiva-los a atos nocivos. Exemplo disso, foi a criação do jogo online “Baleia Azul”, em que um “curador” anônimo estabelece cinquenta desafios – dentre eles a automutilação – ao adolescente, sendo a última etapa, a retirada da própria vida. Vê-se, assim, a necessidade de um maior acompanhamento parental e preventivo à depressão.

Contudo, nota-se que a depressão tornou-se um problema de saúde pública no Brasil. Para alterar esse cenário, portanto, os Ministérios da Saúde e Educação, de forma conjunta e integrada, devem designar um pscicólogo por escola em todo país.Os alunos triados por professoares a serem atendidos por esse profissional, receberão acolhimento pscológico e se necessário encaminhamento ao psiquiatra para uma intervenção completa, além da exigência de acompanhamento do menor em todo o processo pela família, a fim de mitigar essa tendência mundial de escapismo e dor diante aos problemas da vida.