O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 08/01/2021
No século XVIII, o médico P. Pinel publicou diversos estudos acerca do Transtorno Depressivo e aferiu a necessidade de que ele fosse tratado com seriedade pela psiquiatria. Todavia, a ignorância da sociedade brasileira diante da depressão, negando sua existência ou gravidade, mostra que a conquista do doutor francês não atingiu o globo por inteiro. Nesse sentido, a neglicência com o diagnóstico da doença, assim como o estigma negativo acerca dele, precisam ser desconstruídos.
Em primeiro lugar, é necessario entender a depressão como um distúrbio psiquiátrico formal. No filme Divertidamente, o comportamento humano é apresentado a partir de um painel controlado pelas emoções, como a tristeza e alegria. No entanto, quando a personagem experiencia o distúrbio, o maquinário deixa de funcionar, e não permite que a consciência o guie. Ocorre que o imaginário contemporâneo nutre uma visão equivocada de que o indivíduo possui poder sobre seu “painel” a todo momento, o que impede o reconhecimento pelo paciente do Transtorno Depressivo da sua condição. Assim, não é razoável que a sociedade negligencie a existência de diagnóstico para a doença.
Em contrapartida, mesmo entre aqueles que entendem a condição médica da depressão, esta, tal quanto outros distúrbios mentais, possui um estigma negativo. De acordo com o sociólogo E. Durkheim, a sociedae é coercitiva, impondo sobre o indivíduo seus valores e crenças. Em tal prospecto, o paciente psiquiátrico depressivo não é tido como resiliente o suficiente para viver em sociedade, e o fato social de Durkheim prescreve seu distúrbio como uma fraqueza pessoal. Dessa maneira, é preciso romper com o conceito pré concebido acerca da saúde mental como um todo.
Portanto, é necessário que o Estado tome medidas para mitigar o quadro atual. Para que o problema ideológico acerca da depressão seja combatido, urge-se que o Ministério da Saúde incentive, por meio de campanhas lançadas nas próprias redes sociais e na mídia como um todo, o debate sobre a doença e a saúde mental. O transtorno deve ser reconhecido como uma doença, que, como tal, demanda cuidados paliativos, mas que não deve ser fonte de vergonha ou julgamento. Desse modo, o conhecimento desenvolvido por Pinel e o respeito, cultivado pela sociedade, serão a engrenagem ausente no maquinário contra a ignorância e o preconceito.