O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 16/01/2021
Em 1792, no contexto do Iluminismo, o psiquiatra Phillipe Pinel desenvolveu os primeiros estudos acerca do Transtorno, que assola, na atualidade, muitas pessoas pelo globo, inclusive os jovens. No entanto, mesmo após séculos da descrição de tal transtorno, significativa parcela da população ainda trata tal condição como não importante ou fraqueza, o que representa grave problema para o tratamento desse transtorno. Assim, deve-se desconstruir a visão reducionista da depressão, além de valorizar a saúde mental.
Nessa perspectiva, a atitude de minimizar transtornos psicológicos, como o depressivo, contribui para que o tratamento de tal condição seja dificultado. Nesse sentido, a Geração Ultrarromântica, no século XIX, tratava a tristeza e a depressão como atos amorosos e via na ideação suicida uma forma positiva de escape da realidade. Ocorre que a idealização do transtorno depressivo permeia o ideário popular até a contemporaneidade, o que ocasiona a desvalorização dessa síndrome, de forma que os afetados por essa acreditam possuir apenas um estado de negatividade passageiro, que, na realidade, é uma desregulação hormonal, a qual deve ser tratada por profissionais.
Ademais, a desvalorização da saúde mental no Brasil também é um entrave para a redução dos casos de depressão entre os jovens. Nesse sentido, Freud, considerado pioneiro na psicanálise, desenvolveu o conceito de ‘‘Mal-Estar da Civilização’’, segundo o qual a pressão sobre os indivíduos para que sejam perfeitos em tudo que realizam leva à negatividade e frustração se houver fracasso, o que pode ocasionar o transtorno depressivo. Destarte, exepectativas irreais são sobrepostas ao bem-estar psicológico, que acaba marginalizado diante da sociedade atual. Dessa maneira, é incoerente que a integridade mental seja cerceada dos jovens, os quais deveriam tê-la como valorosa e primordial.
Portanto, para solucionar a problemática exposta, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com as escolas, promova a real importância da depressão e valorize a saúde mental dos alunos, a fim de minimizar a incidência e as consequências dessa síndrome nos jovens. Isso poderia ser feito por meio de palestras, oficinas e aulas com psiquiatras que objetivariam desconstruir o reducionismo sobre o transtorno depressivo, além de mostrar a importância de se cuidar do bem-estar psicológico. Tal projeto poderia ser chamado de ‘‘Cada Vida Conta’’ e por meio dele, poder-se-á superar o mau descrito por Pinel.