O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 12/04/2021

“A primeira condição para transformar a realidade é conhecê-la”. A célebre frase de Eduardo Galeano justifica perfeitamente o aumento da depressão entre os jovens brasileiros, tendo em vista que tal crescimento está associado ao desconhecimento vigoroso, não apenas no Brasil, mas em diversos lugares do mundo. O suicídio de Marilyn Monroe é um belo exemplo dessa faceta, uma vez que a atriz americana sofria de depressão, no entanto, era limitada a falar sobre sua situação em função dos tabus presentes na época. Nesse contexto, com poucas mudanças efetivas na subjetividade da coletividade, o homem ainda se submete aos imperativos da depressão em seus aspectos mais históricos e sociais.

De acordo com a teoria do “Efeito Borboleta”,  de Edward Lorenz, mudanças ocorrem apenas quando se muda as condições iniciais. Entretanto, em pleno século XXI, o continuísmo dos padrões civis endêmicos do período colonial, no qual doenças mentais eram sinônimo de fraqueza e não deveriam sequer ser analisadas, conforme a lógica outrora enfatizada, impede que a depressão seja erradicada. Isso ocorre devido à imensa dificuldade que há no ser humano em se desprender de ideias construídas em outros momentos da história. Desse modo, é pertiente depreender que esse comportamento humano possui parte ativa nessa ascensão da depressão entre os brasileiros mais novos.

Ademais, a vida árdua vivenciada por milhares cidadãos é outro mecanismo de opressão. Consoante Rousseau, filósofo suiço, o homem é aquilo que o espaço lhe concede. Nesse perspectiva, é possível utilizar  a filosofia dele para refletir sobre um grande paradoxo: Se o cotidiano oferece traumas, como o preconceito, a desigualdade e a violência, de que maneira tal cenário caótico não afetaria os sentimentos dos indivíduos? Assim, com a saúde mente abalada e confusa, os cidadãos se tornam mais sensíveis, agitados e, logo, facilmente atingíveis, já que vivem de forma intensa diante de uma realidade sórdida.  Nesse sentido, em virtude das situações traumáticas presenciadas na experiência social por cada ser humano, tem-se a expressiva consolidação de uma forte sensação de caráter depressivo.

Portanto, é preciso transpor o contexto supracitado. Para tanto, o Estado, por meio da verba pública, deve construir clínicas médicas especializadas em tratar a depressão, com intuito de tornar o tratamento dessa doença mais popular, além de elaborar minicuros instrumentais sobre os benefícios  do procedimento para que, então, os jovens se sintam encorajados a se cuidar. Paralelamente, cabe ao corpo docente escolar, em parceria com médicos psiquiatras —haja visto o conhecimento desses profissionais inerente a doenças mentais— a instruir os estudantes a identificar os sintomas de depressão e deve instruí-los  a lidar com depressivos. Por conseguinte, como Galeano afirma, quando há conhecimento, é possível transformar a realidade.