O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 07/05/2021

O livro ‘‘Admirável Mundo Novo’, de Aldous Huxley, introduz o leitor a uma sociedade na qual os indivíduos são condicionados por um método chamado ‘‘hipnopedia’’: durante o sono, ouvem as mesmas frases centenas de vezes,, de modo a definir suas percepções sobre o mundo. Em alusão a técnica, os jovens, cada vez mais conectados às redes sociais, têm suas visões de mundo determinadas pelo que vigora nesse meio. Tal conjuntura é uma das causas do crescente número de jovens com depressão no Brasil, impulsionado também pelo estigma social acerca da saúde mental. Dessa forma, em virtude da depressão ser uma enfermidade que compromete a qualidade de vida, a análise dessa problemática se faz necessário.

Em primeiro lugar, é mister ressaltar o papel das redes sociais. Nesse contexto, as curtidas funcionam como um “ranking”, que quantifica a aceitação de determinado grupo e, por conseguinte, define o parâmetro de ideal. Visto o contato frequente dos usuários, principalmente os mais jovens, isso acaba por definir seus padrões de corpo e estilo de vida, como é evidente pela procura cada vez maior por ‘’lábios grossos’’, muito valorizados nesse meio, conforme o documentário ‘’O culto da beleza nas redes sociais’’ da emissora DW (Deutsche Welle). No entanto, os filtros e as edições de imagem tornam qualquer tentativa de busca pela perfeição fadada ao fracasso. Isso leva a frustração e a sentimentos de inferioridade, que podem culminar em problemas como a depressão.

Ademais, o histórico preconceito em relação à saúde mental no Brasil fomenta a problemática. O filme “Nise: O Coração da Loucura”, passado nos anos 50, demonstra a visão discriminatória da sociedade sobre os doentes mentais, mediante o tratamento desumanizado dessas pessoas, no qual eles eram, por exemplo, excluídos de seus círculos sociais. Tal mentalidade, embora avanços tenham ocorrido ao longo das décadas, perpetuou-se no imaginário coletivo. Em vista disso, a procura por ajuda é prejudicada pelo medo e a vergonha de ser estigmatizado como um portador de transtornos mentais.

Depreende-se, portanto, que as redes sociais e a discriminação estimulam esse panorama e que medidas são necessárias para reverte-lo. Nesse sentido, as escolas devem criar rodas de debate, com a participação de professores e alunos, a fim de discutir sobre saúde mental e redes sociais, através de filmes, séries e livros, de modo a torná-los mais críticos no que concerne às imposições das mídias sociais. Além disso, as Secretarias da Educação devem organizar palestras com a presença de profissionais, também no ambiente escolar, para pais e filhos com o intuito de conscientizar sobre a importância de cuidar da saúde mental e de descontruir qualquer preconceito acerca da temática. Para que, assim, mais jovens não tenham suas vidas afetadas pela depressão.