O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 14/05/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê o direito à saúde como inerente a todos os cidadãos brasileiros. Porém, tal prerrogativa não tem repercutido com ênfase na prática ao observarmos o aumento da depressão entre os jovens no Brasil. Dessa forma, faz-se imperiosa a análise dos fatores que contribuem para a problemática, como o déficit no sistema público de saúde e a influência midiática.
Em primeiro lugar, é oportuno pontuar que a ausência de medidas governamentais possui íntima relação como sucateamento no Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse sentido, torna-se inviável o atendimento aos indivíduos depressivos, salientando como a falta de recursos reflete, significativamente, no processo de tratamento da doença. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, uma vez que o Estado não cumpre sua função de garantir os direitos essenciais aos cidadãos. Diante disso, é inadmissível que as verbas destinadas à saúde pública do país continue escassa.
Outrossim, é fundamental apontar a influência midiática como impulsionadora do problema no Brasil. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, “aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de repressão simbólica”. Entretanto, a sociedade atual contraria o pensamento do autor ao fazer uso do direito à liberdade para reprimir o direito do outro, uma vez que, infelizmente, os indivíduos se utilizam das mídias para basear seu estilo de vida e questionar aqueles que não seguem o que a sociedade impõe. Nesse sentido, as redes sociais atuam como difusora de padrões, cenário o qual, é inadmissível que continue a perdurar.
Portanto, em virtude dos fatos mencionados, faz-se necessário que o Governo, órgão responsável por administrar o Estado, junto ao Ministério da Saúde, invista no SUS, a fim de atender de maneira efetiva a população e crie, por meio de propagandas veiculadas nas mídias, campanhas de conscientização acerca dos maus usos da internet e sua influência na vida das pessoas, a fim de destruir os padrões impostos pela sociedade, para que as pessoas se aceitem como elas são. Fazendo isso, o Estado estará cumprindo seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.