O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 25/05/2021
Nos últimos anos, com o rápido progresso das tecnologias, o homem vem criando um ambiente artificial, com o qual não está adaptado biologicamente. Isso acaba gerando diversos problemas, entre eles o aumento do número de casos de depressão, principalmente entre os mais jovens, que se tornou uma epidemia no século xxi. No Brasil, a expansão dessa doença entre os mais novos tem como causa o enfraquecimento do núcleo familiar e a idealização de personalidades artísticas.
Primeiramente, o enfraquecimento das relações afetivas intrafamiliares é uma das principais causas da doença do século entre os adolescentes. O homo sapiens, assim como a maioria dos primatas, é uma espécie social, necessitando estar vinculada a uma comunidade para o bem de sua saúde, tanto física quanto mental. Porém, com a urbanização recente, que acarretou num crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho (55% em 2018 contra 18% em 1930, segundo a revista “IstoÉ”) e num menor número de filhos por família (o IBGE prevê crescimento vegetativo negativo da população até 2050), a solidão se tornou a norma entre os mais jovens, filhos únicos sem pais presentes, indo contra a natureza social humana. Dessa forma, é evidente que o enfraquecimento do núcleo familiar está relacionado com a epidemia de depressão.
Além disso, a idealização dos ícones artísticos entre os mais inexperientes é atualmente um fator para esse quadro negativo. A industria cultural, ao vender a música de grupos artisticos como o BTS ou de cantoras como Ariana Grande, vendem também a imagem, o estilo de vida e as visões de mundo deles, formando legiões de fãs, compostas principalmente de adolescentes, que tomam essas celebridades como um ideal a ser seguido. Isso se evidência ao observar as “Armys” de artistas coreanos, grupos de fãs altamente organizados que adotam um estilo de vida e de comunicação parecidos com o dos seus idolos. Esse ideal de viver como seus idolos, porém, acarreta numa busca por uma forma de vida que existe apenas nas propagandas da cultura de massas e no imaginário coletivo dos fanáticos. O indivíduo, então, ao se ver impossibilitado de atingir o ideal que procura e não enxergando se tratar de um objetivo irreal, se culpa, o que contribui para a atual epidemia de depressão.
Portanto, é evidente que a doença do século é fruto do enfraquecimento dos núcleos familiares e da idealização de ícones artísticos. Para resolver essa problemática, é necessário fortalecer a idéia de paternidade e maternidade compartilhada, isto é, a idéia que todos os membros de uma sociedade tem responsabilidade na criação dos jovens. Isso poderia ser feito por ONGs e pelos governos municipais, os quais organizariam confraternizações e eventos dentro das comunidades para proporcionar uma maior conexão entre os membros da região, combatendo a solidão das novas gerações.