O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 25/06/2021

Na música “Jealousy, jealousy”, de Olivia Rodrigo, uma jovem desenvolve problemas emocionais devido aos padrões de vida intangiveis que são mostrados em suas redes sociais. Paralelamente à isso, no Brasil, os jovens, ao serem expostos à estímulos de arquétipos sociais inalcançaveis, frustram-se e apresentam quadros de depressão quando, fatalmente, falham em reproduzi-los. Assim, em uma sociedade marcada pela fugaz mudança das têndencias irreais nas mídias sociais, os adolescentes brasileiros se veem presos a esteriótipos que não conseguem replicar, tendo, como consequência, a doença crônica depressão.

Em primeira análise, vale destacar que, a dependência dos jovens em relação às mídias sociais no Brasil tem aumentado exponencialmente. Além disso, os padrões inalcançáveis apresentados nas redes e a rapidez com que a concepção do que é desejável muda, aborrece os que tentam segui-los. Com efeito, Zigmunt Bauman, sobre a sociedade atual, diz que, sendo as relações sociais líquidas e inconstantes, as pessoas não estão em busca de estabilidade. Desse modo, os meios comunicativos seguem as tendências da sociedade, transparecendo, em seu conteúdo, oscilações constantes da definição do ideal almejado, tornando-se impossíveis de serem acompanhadas.

Ademais, é importante para a os adolescentes encaixarem-se nos padrões impostos pela sociedade, de modo a sentirem-se incluídos em seus ciclos sociais, exercendo, frequentemente, comportamentos prejudiciais à saúde, apenas para atingir esse objetivo. Segundo a socióloga Hanna Arendt, em sua teoria sobre banalização do mal, eventos ruins que acontecem de maneira recorrente, como é o caso dos atos nocivos praticados pelos jovens para seguir as tendências, passam a ser normalizados. Dessa forma, a falta de autenticidade e autonomia influenciada pelas redes sociais no comporamento desses indivíduos os tornam propensos a desenvolver depressão, que pode levar ao suicídio e a banalização desses acontecimentos potêncializam esses danos.

Portanto, faz-se necessário que o Estado, juntamente com canais midiáticos, desenvolva propagandas e anúncios informativos - que serão veículados nas redes sociais, com verbas governamentais, sendo facilmente acessadas pelo público-alvo, os jovens brasileiros - sobre os padrões irreais de beleza e estilo de vida exposto nas mídias; visando comunicar aos adolescentes a ficcionalidade dos conteúdos provenientes da fluidez do mundo líquido-moderno, a fim de que seus atos originem-se de pensamentos racionais e não esteriotipados. Somente assim haverá a diminuição dos casos de depressão na juventude brasileira.