O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/10/2021

O índice de jovens com depressão no Brasil cerceia o pensamento de que este país deliberadamente é antagônico por causa de suas raízes formadoras, como refletiu o psicanalista Roberto Gambini, na obra “Outros quinhentos”. Essa mesma assertiva é análoga ao personagem Macunaíma – de Mário de Andrade –, ao representar a metáfora de um brasileiro sem natureza definida. Nesse viés e com base no presente, questões estruturais da sociedade, como o uso exagerado de mídias sociais somado às mudanças hormonais dessa fase, ainda são tratadas sem visibilidade. É nesse cenário, então, que se delineia a discussão sobre a depressão em um país em que ela aflige 6% dos cidadãos jovens.

Certamente, essa enfermidade ilustra o pensamento de Roberto Gambini, pois a falta de identidade social torna-se latente diante da saúde do adolescente. Nessa perspectiva, as mídias sociais têm papel relevante no entendimento do desenvolvimento da doença entre os jovens. A idealização da perfeição é um dos fatores preponderantes, como mostrado no documentário “O Dilema das Redes”. Dessa forma, o uso exagerado dos aplicativos sociais acarreta em irritabilidade e tristeza para estes cidadãos. Por conseguinte, a falta de apoio ao jovem mostra que o país não existe em função do próprio povo – como afirmou o historiador Laurentino Gomes. Nesse contexto, concede-se razão a Gambini, visto que o Brasil permanece ainda colonizado no início da história daqueles quinhentos anos.

Já no que concerne às relações de saúde, o impacto é maior em relação às mudanças do corpo características da idade. Ignorar esse fato é a fórmula do desastre. As mudanças no corpo dos adolescentes ocorrem devido a uma grande liberação hormonal. Dito isso, muitos desses hormônios, quando desregulados, podem gerar a tristeza e a irritabilidade características da depressão. O diagnóstico rápido e preciso é essencial nessa etapa para não deixar a doença progredir. Assim, quebrar tabus relacionados à doença é necessário, como relatado no documentário “Existir e Resistir”. Deve-se garantir, então, que não sejam necessários “outros quinhentos anos” para que o brasileiro jovem tenha acesso a um tratamento de qualidade para a depressão.

Portanto, é preciso uma intervenção que busque diminuir a depressão entre os jovens no Brasil. É imprescindível a criação de uma plataforma virtual de fácil acesso ao cidadão, financiada pelo Ministério da Saúde, com o intuito de fornecer apoio psicológico para casos crônicos. Essas ações devem ser tomadas com o objetivo de controlar a doença no país. Além disso, essa plataforma deve impulsionar uma campanha nas redes sociais populares, de modo a favorecer a divulgação de materiais que quebrem tabus sobre a depressão. Dessa forma, o Brasil se distanciará da personalidade de “herói sem caráter” de Macunaíma, quebrando paradigmas e alcançando a isonomia social.