O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 31/08/2021

Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do caminho”, retrata o percurso de uma pedra presente em sua trajetória. Embora o contexto do poema do contista não tenha sido escrito sob o viés social, percebe-se um alinhamento com a realidade brasileira, no que tange o aumento da depressão entre jovens brasileiros. No sentido que, esse, é um notório problema social que persiste sem solução,

à custa das mídias e da inconsciência social.

Primeiramente, cabe salientar que as redes sociais são responsáveis pelo aumento da depressão em jovens. Lançada em 2014, a campanha Setembro Amarelo relaciona o uso de aplicativos, como Twitter e Instagram, ao aumento da expectativa dos adolescentes e consequente estado de frustração. Com milhões de seguidores, alguns influenciadores digitais exibem vidas perfeitas e, muitas vezes, irreais para a maior parte de seus fãs. O desejo por uma vida utópica, igual ao dos ídolos, leva ao ciclo de busca e insatisfação, ocasionando ansiedade e tristeza frente a realidade em que vivem. Assim, como dito por Zygmunt Bauman “O problema não é consumir, é o desejo insaciável de continuar consumindo”.

Ademais, cabe salientar que a filósofa Hanna Arendt, em seu livro “Banalidade do mal” refletiu sobre o processo de massificação social, onde todos os indivíduos possuem o mesmo padrão comportamental. Com efeito, quando se fala sobre o aumento da depressão entre os mais novos, é fácil perceber que a ideia defendida pela escritora tem total relação com a temática. O uso indiscriminado da internet, devido a facilidade de acesso, normalizou a imersão no mundo digital. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), 424 milhões de dispositivos digitais estavam em uso no ano de 2020. Logo, nota-se o Estado, como detentor do dever de conscientizar a população sobre seus direitos e bens sociais, mostra-se indiferente em relação à problemática, tornando essa uma das causas mais nocivas da questão.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar a problemática. Sendo assim, o Ministério da Educação, por meio das escolas e universidades, deve criar um projeto sócio-educativo, com oficinas e palestras e debates, para promover a conscientização social sobre a questão da depressão. Tais eventos devem ter alcance nacional, inclusive pela própria internet, com transmissões ao vivo, por exemplo, para que apresentem as principais questões do tema. Espera-se dessa forma, que a população possa estar inteirada sobre o assunto e que o problema seja minimizado.