O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 20/09/2021
Na canção “Como Nossos Pais” de Belchior, o eu-lírico aponta que apesar do esforço das gerações jovens em conscientizar e promover transformações na sociedade, determinadas problemáticas persistem ao longo do tempo. Fora dos discos, ao observar o aumento da depressão entre os jovens no Brasil, é notório a veracidade do apontamento: apesar de recentes avanços, a doença continua aumentando, o que configura-se como um grave problema de saúde pública que deve ser revertido. Para tal, deve-se analisar a causa e a consequência disso: influência do meio e problemas de saúde.
Sob esse viés, torna-se importante destacar que a conjuntura atual catalisa o imbróglio. Nessa lógica, salienta-se a frase do filósofo Rosseau, “o homem é um produto do meio em que vive”. Isto posto, o comportamento do ser humano é condicionado por influências extrínsecas. Sob esse prisma, o ambiente digital externo é preponderante para o aumento da depressão. Nesse cenário, a Universidade de Notre Dame, Austrália, realizou uma pesquisa com cinco mil jovens, aqueles que passavam cinco horas ou mais nas redes apresentaram uma tendência 50% maior para desenvolver a doença. Porquanto, o ambiente digital estimula a mazela, pelo fato de contribuir para o isolamento do indivíduo, ao passo que ele passa mais tempo nas mídias em relação à realidade física, o que dificulta que esse paciente consiga ajuda, aumentando o peso de sua condição sobre si mesmo.
Ademais, é imprescindível analisar não só a causa, mas também a consequência da depressão. Dessa forma, de acordo com o pensador clássico Aristóteles, “o homem é um ser social”. Assim, a socialização é essencial para a integralidade do ser. Não obstante, a depressão atenua a socialização e o paciente isola-se com seus problemas, afetando a sua integridade, conforme supracitado. Outrossim, segundo o psicólogo Abraham Maslow, a fisiologia é o alicerce das necessidades humanas. Nessa ótica, quando a saúde mental é afetada, por conseguinte, o corpo indivíduo também será, pois a doença estimula o sedentarismo, práticas de autolesão e a alimentação compulsiva, removendo a base fundamental do organismo, conforme o pensamento do psicólogo.
Portanto, é mister que diligências sejam tomadas para solucionar a problemática. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com os aplicativos digitais, ampliar a conscientização sobre a doença. Para tanto, o Ministério deve disponibilizar psiquiatras e psicólogos para realizar vídeos rápidos, a serem veiculados nos aplicativos, para explicar os sintomas da doença, hábitos que podem desencadeá-la e quando é necessário procurar ajuda. Desse modo, os jovens dotados de tal conhecimento, irão evitar práticas nocivas, o tratamento e o diagnóstico da doença serão estimulados. Destarte, os esforços da juventude serão concretizados, transcendendo a premissa de Belchior.