O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 13/11/2021
A depressão, uma doença crônica que mistura estados de intensa alegria e profunda angústia, tornou-se uma enfermidade dominante no século XXI. Nesse contexto, inúmeros países do mundo enfrentam diariamente crianças, jovens e adultos depressivos. O Brasil, como a maioria das nações, tem a problemática do aumento da depressão entre os jovens no espaço contemporâneo, seja pela busca incessante de felicidade, seja pela alta comparação social.
Sob esse viés, a grande busca por algo que preencha o vazio existencial da maioria dos seres humanos interfere, diretamente, na ocorrência de uma infelicidade e, possivelmente, em casos depressivos. Nesse cenário, segundo Aristóteles, filósofo grego, a Eudaimonia, isto é, o estado e a busca constante por felicidade, tem que ser mediada em um meio termo, não pode ser um ato extremo nem frouxo, mas intermediário. Por esse ângulo, a busca desenfreada por ações fúteis e mundanas não completam o estado infeliz de cada pessoa. Diante disso, muitas pessoas ficam presas, à mercê de algo irrealizável, e se sentem vazia e frustradas. Visto isso, como consequência, o Brasil, segundo dados do BioMed Central (BMC), configura-se no terceiro país no mundo em que há mais pessoas deprimidas. Assim, a lógica de uma busca incessante por algo fútil nunca abarcará o todo de cada ser humano, deixando sempre a sensação de vazio e depressão.
Em segunda análise, o aumento no número de indivíduos com depressão passa pela alta comparação que há entre as pessoas, especialmente entre os jovens. Nesse sentido, como retrata Jung, psiquiatra suíço, a Persona, ou seja, a máscara que cada sujeito usa para aparecer em mídias, tanto sociais, quanto televisivas, contribui para que o mundo seja apenas de criaturas que vivem de aparências perfeitas. A esse respeito, cada ser humano, ao se achar inferior ao outro, em quaisquer aspectos, fica decepcionado, tenta mudar para agradar outros, mas apenas acaba se refugiando dentro da própria solidão e, em virtude desses aspectos, os casos de depressão surgem. Portanto, a comparação apenas limita cada pessoa a possuir uma visão irreal que realça uma imagem errada.
Dessa forma, o crescimento nos casos de jovens brasileiros depressivos passa tanto pela busca de alegria plena, quanto pelo grande confronto de imagens. Sobre isso, o Estado brasileiro, por meio de Ministério da Educação, deve criar normas curriculares, seja em filosofia, seja em sociologia, a fim de ensinar e trabalhar com os alunos a autopercepção e o direcionamento para algo útil. Ademais, o acúmulo de conhecimento facilitaria a redução na comparação entre pessoas. Logo, nesse ínterim, ajudaria os jovens a lidarem melhor com seus vazios existenciais e suas imagens, contribuindo para a diminuição dos casos de depressão no país.