O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 29/04/2022
Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere ao crescimento dos casos de depressão entre a juventude brasileira. Com isso, surge a questão do aumento de doenças psicológicas nos mais novos, que persiste intrínseco à realidade brasileira, seja pela falta de estrutura seja pelo pouco debate do tema.
Convém ressaltar, a princípio, que a ausência de uma infraestrutura adequada é um fator determinante para a persistência do problema. Nesse sentido, a filósofa Hannah Arendt defende que o espaço público seja preservado para que se assegure a manutenção da cidadania. Nessa perspectiva, esse aspecto está presente de maneira decisiva no que tange ao aumento de casos de depressão entre os adolescentes. Assim sendo, a falta de investimento governamental na infraestrutura para o tratamento da doença, por exemplo, centros especializados para a enfermidade ou o acompanhamento de profissionais nas escolas, acaba dificultando a resolução do problema.
Outrossim, a praticamente inexistência de discussão sobre a questão ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como o desenvolvimento de problemas psicológicos na juventude seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito pouca debatida. Dessa forma, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Destarte, o Ministério da Infraestrutura em parceria com o Ministério da Saúde deve, por meio da destinação de maiores verbas, construir centros médicos que tratem exclusivamente da depressão. Nessa ótica, é necessário que tenha pelo menos uma associação em cada estado da federação. Desse jeito, os jovens terão uma infraestrutura adequada para tratar suas mazelas. Ademais, o Ministério da Saúde precisa, por intermédio da mídia, trazer a discussão da ansiedade entre os
adolescentes para a sociedade, com o intuito de sanar o problema.