O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 27/10/2019

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Através desse fragmento do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, percebe-se que a sociedade ao longo do seu desenvolvimento encontra obstáculos em sua jornada. O aumento gradativo de casos de depressão entre jovens no Brasil constata esse argumento. Ademais, tendo em vista que tal fator tem como sua principal consequência o suicídio, faz-se necessário uma reflexão e também medidas que possam combate-lo.

Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que em decorrência de uma sociedade que ainda trata o tema depressão como tabu ou que erroneamente autodiagnostica essa doença psicológica como “frescura”, “fingimento” ou “carência”, corroborou para que essa se impregnasse efetivamente na vida desses jovens. Além disso, evidencia-se que traumas, violência doméstica, bullying, pressão de processos seletivos, dificuldade de se definir e se encontrar dentro da sociedade são gatilhos que fomentam a manutenção da depressão no cotidiano juvenil.

Por conseguinte, presencia-se o suicídio como corolário do problema. No livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, do escritor Goethe, narra a trágica história de um jovem possui uma grave depressão e que eventualmente comete suicídio, devido ao enorme sucesso dessa obra, vários jovens se espelharam nesse sofrimento e se mataram, originando assim o efeito Werther. Destarte, dentre isso e outras problemáticas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) orientou que casos de suicídio não fossem divulgados na mídia. Entretanto, é a falta de comunicação e informação que corroboram para que a depressão se tornasse uma doença silenciosa, contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução deste impasse. Em primeiro plano deve-se salientar que depressão tem tratamento e o primeiro passo é conversar. Partindo desse pressuposto, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) deve instituir psicólogos em todas as escolas, a fim de proporcionar aos jovens auxílios para enfrentar essa mazela. Assim sendo, cabe à mídia parceria com a OMS, usufruir de seu poder persuasivo para campanhas de valorização a vida e maiores informações sobre essa doença, extinguindo o tabu que o cerca, e incitando a população a procurar tratamento. Pois, talvez assim, a sociedade possa começar a retirar essa pedra do seu caminho para seguir livremente sua jornada.