O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/10/2023
A constituição de 1988 foi um marco na história brasileira, pois foi a primeira vez que o país teve a saúde mental como parte essencial do seu texto base. No entanto, tal avanço se mostrou insuficiente, visto que houve um aumento preocupante do número de casos de depressão entre a parcela mais jovem da população. Logo, para a plena manifestação do espírito constitucional, é necessária uma superação de tal problemática, porém o país tem como empecilho a negligência estatal e a secundarização dos direitos no Brasil.
Diante desse cenário, nota-se a inoperância governamental como fator agravante do cenário de deterioração da saúde mental dos jovens. Nesse escopo, segundo dados do Ministério da Saúde, o número de casos de depressão na população aumentou cerca de oito vezes em menos de duas décadas. Dessa forma, é notório que mesmo décadas após a implementação da Carta Magna, o Estado brasileiro ainda não é capaz de lidar com a saúde mental da população, o que demonstra um vácuo legislativo. Consequentemente, isso leva a um cenário no qual a juventude brasileira cresce desamparada pelos órgãos legais responsáveis. Assim, esses cidadãos tem seus direitos privados por ausência estatal.
Além disso, é notório como fator agravante a secundarização histórica dos direitos. Nesse sentido, no livro “A Elite do Atraso”, o autor brasileiro Jessé Souza discorre sobre como o desenvolvimento brasileiro foi guiado por uma elite interessada apenas nos lucros rápidos. Como desdobramento, Jessé explica que os direitos sociais passaram a ter papel secundário nos planos da nação, incluindo, o direito à saúde mental, o que leva a um aprofundamento da situação vivenciada hoje.
Portanto, para a plena aplicação da vontade constitucional, é necessária uma ação arrojada do Estado. A União - em sua função de promotor do bem-estar social -, por meio de seus órgãos legislativos, deve atualizar a legislação vigente, levando em conta o cenário atual, no qual o país tem a saúde mental como um de seus principais empecilhos para a plena aplicação da cidadania, a fim de fortalecer os órgãos de apoio a saúde mental, hvendo como prioridade os mais jovens que, segundo o Ministério da Saúde, são os mais vulneráveis a essa problemática.