O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 12/06/2024

A citação de Camus em “O Mito de Sísifo” - “toda a infelicidade dos homens provém da esperança” - convida à reflexão sobre a natureza do sofrimento. A esperança, em sua essência, é positiva, mas em excesso pode se tornar obsessão pela vida e medo da morte. Essa obsessão, como argumenta Camus, nos prende a um ciclo de sofrimento, pois nos torna constantemente insatisfeitos com o presente e questionadores do sentido da existência.

As redes sociais intensificam o sofrimento através da dopamina, neurotransmissor do prazer e recompensa. “Curtidas”, comentários e outras validações virtuais liberam dopamina, criando um ciclo vicioso similar à dependência. O cérebro se adapta, tornando a dopamina necessária para o prazer maior, levando à busca incessante por recompensas virtuais e à insatisfação constante. A comparação com vidas perfeitas nas redes alimenta a insatisfação, podendo culminar em apatia, depressão e até ideação suicida.

É crucial buscar ajuda profissional quando necessário. Psicólogos, terapeutas e outros profissionais de saúde mental podem fornecer ferramentas e apoio para lidar com os desafios da vida moderna, incluindo os efeitos negativos das redes sociais. Promover a saúde mental e a educação sobre o uso consciente das tecnologias digitais também é fundamental. Campanhas de conscientização, programas educativos nas escolas e iniciativas comunitárias podem ajudar a combater o estigma associado aos problemas de saúde mental e incentivar as pessoas a buscar ajuda sem vergonha ou hesitação.

O Ministério da Saúde tem um papel crucial a desempenhar na promoção da saúde mental e na conscientização sobre os perigos das redes sociais. Campanhas informativas em mídias populares, parcerias com influenciadores digitais e o desenvolvimento de aplicativos educativos podem ser ferramentas eficazes para alcançar um público amplo e promover a mudança social.