O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 22/09/2019
O Epicurismo, escola filosófica do Período Helenista na Grécia Antiga, foi responsável pelo estudo do prazer como fator responsável pela felicidade do homem. É possível verificar que tal vertente volta a ser explorada pelos jovens de hoje, em uma incessante busca pelo prazer e felicidade. Entretanto, os epicuristas afirmavam que existem, também, prazeres intensos que podem vir a causar dores ainda maiores para o indivíduo. Dessa forma, ao não medir suas ações, os jovens podem se deparar, por exemplo, com infecções sexualmente transmissíveis. Porém, o descuido é presente, não apenas entre os jovens, mas em todos os setores da sociedade, o que garante, assim, uma multiplicação dos casos.
Em princípio, a causa primordial para o aumento das ISTS entre os jovens vem a ser a banalização que essas doenças sofreram no decorrer do anos. Isso se deve pela coercitividade das sociedades, em que, na sua maioria, enfrentam o sexo como um grande tabu que não se deve dialogar a respeito. Dessa forma, além da negligência familiar para com o assunto, existe ainda, em uma sociedade conservadora, o desejo, tanto do Estado, como quanto das próprias famílias, da proibição da educação sexual em escolas, o que promove uma falta de comunicação ainda maior dos jovens sobre o assunto. É inegável que, inseridos na Era Tecnológica, os jovens irão entrar em contato com essa temática, porém, como a informação não é acompanhada de reflexão, não haverá uma prevenção efetiva.
Como consequência, uma vez que o descaso predomina, os números tendem a crescer cada vez mais. Segundo o Ministério da Saúde, em 2017, ocorreram, no Brasil, cerca de 60 casos de Sífilis a cada cem mil habitantes. Nesse mesmo período ocorreram mais de 200 mortes por causa dessa mesma doença, que apesar de ser tratável, há quem não receba tal informação ou ainda quem sequer reconhece que adquiriu a doença. Além disso, existe ainda uma falsa sensação de imperturbabilidade com relação à AIDS, graças ao coquetel, que vem a ser um conjunto de medicações que inibe a multiplicação do vírus, garantindo uma amenização de seus sintomas, porém, ainda não há cura efetiva para a AIDS.
Logo, não há como negar que o aumento dos casos de ISTS no Brasil tendem a aumentar enquanto a sociedade não garantir foco para a prevenção dos problemas. Dessa forma, cabe às escolas garantirem a educação sexual em seu currículo, através das aulas de biologia, em conjunto com os pais dos alunos e médicos ou enfermeiros do Ministério da Saúde, para não apenas os pais conseguirem uma fonte de diálogo com os filhos, mas também para que os jovens possam ter um contato mais direto com alguém que trabalhe na área da saúde, a fim de ouvir experiências reais, para fugir do plano das ideias, e aprender formas concretas de prevenção. Assim, os jovens poderão, por fim, desfrutar de seu lado epicurista, de forma mais cautelosa, sem obter dores mais intensas que prazeres.