O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 10/10/2019

Na obra literária “Capitães da Areia”, Jorge Amado retrata a história de Dora, uma adolescente que, sem nenhum parâmetro de proteção/educação sexual, tem sua primeira relação sexual com Pedro Bala (chefe de um grupo de adolescentes malfeitores) horas antes de sua morte. Independente das metáforas sociais presentes na obra, na contemporaneidade brasileira o sexo sem proteção e as doenças sexualmente transmissíveis andam lado a lado, seja pela inércia Estatal, seja pelo caráter impulsivo da adolescência.

Primeiramente, há necessidade de compreender o papel do estado nessa perniciosa questão. De acordo com o pensamento aristotélico a política deve ser usada para que, por meio da justiça, o equilíbrio social seja alcançado. Analogamente, observa-se que o governo rompe com essa harmonia, haja vista que, propagandas que deveriam alertar sobre a problemática relacionada ao sexo sem proteção (que deveria existir em todas as épocas) se intensificam apenas no período carnavalesco, se ausentando nos demais períodos do ano. Como consequência, segundo dados do Ministério da Saúde, 43,4% dos jovens entre 15 e 24 anos admitem não usar preservativo durante o ato sexual.

Ademais, deve-se levar em consideração o caráter impulsivo da época adolescente. Uma vez que a família é a principal responsável por formar o pensamento sexual do indivíduo, sua ausência somada à impulsividade carnal permite a disseminação de mitos e dúvidas sobre as DST´s. De acordo com o Ministério da Saúde, 21,6% da população com idades entre 15 e 24 anos acredita que existe cura definitiva para o vírus da AIDS. Além disso, o receio de que o diálogo iniciado em casa incentive a prática sexual silencia muitos pais. Assim, a ânsia típica de autoafirmação somado à ausência de esclarecimentos básicos vulnerabiliza o jovem, expondo-o a uma série de consequências negativas como as Doenças sexualmente transmissíveis (DST’s).

Portanto, é mister que o Governo Federal providencie medidas para a resolução do impasse. Destarte, urge que o Ministério da Saúde juntamente com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) regule, por intermédio de verbas governamentais, as propagandas que alertem sobre os riscos das doenças sexualmente transmissíveis, direcionando-as aos mais variados canais (televisão, rádio, e-mail, rede social) e públicos, com uma linguagem específica para cada um deles e assim garantir o direito de informação adequada e atemporal para os indivíduos. As atitudes supracitadas dar-se-ão com o engajamento de todos e somente assim mudará a realidade de grande parte dos jovens brasileiros que, semelhante a personagem Dora, não possui o devido espaço na agenda de saúde do país.