O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 29/09/2019

No filme “The Normal Heart” é retratada a história do início da crise da AIDS nos anos 80, quando a doença constituía-se como um estigma e era negligenciada pelo governo norte-americano. De forma análoga, pode-se destacar a problemática das IST’S (Infecções Sexualmente Transmissíveis), a qual mesmo diante dos avanços promovidos no âmbito da Biomedicina, progressivamente afeta novos indivíduos, em especial, os jovens e evidencia, em se tratando do Brasil, a ineficiência das políticas governamentais voltadas à saúde pública. Diante disso, analisar as causas e os agentes sociais envolvidos no contexto presente faz-se fundamental para mitigá-lo.

Assim, a princípio, pode-se dizer que a redução do uso de preservativos configura-se como um dos fatores que têm ocasionado o aumento dos casos de IST’S. Sob tal perspectiva, a internet desempenha uma expressiva função de informar aos jovens sobre os aspectos gerais das enfermidades, contudo tais ferramentas ainda são insuficientes na edificação de uma sociedade responsável e perceptiva dos impactos que as doenças em notoriedade podem gerar. Com base nisso, um estudo do Ministério da Saúde mostrou que 9 em cada 10 jovens de 15 a 19 anos sabem que usar camisinha é o melhor jeito de evitar HIV, mas 6 em cada 10 não usaram preservativo em alguma relação sexual em 2016.

Ademais, a ausência de campanhas que possam prevalecer ao longo do ano, principalmente, nas instituições de ensino expressa a omissão dos órgãos públicos no combate às infecções. Não obstante, a carência de investimentos na medicina preventiva colabora para que sejam elevadas as despesas no tratamento dos indivíduos que foram contaminados. Prova disso, no Brasil, em 2017, o SUS (Sistema Único de Saúde) gastou 2,8 milhões de dólares com procedimentos de médio e alto custo relacionados às IST´S, incluindo internações, dos quais um número significativo estava diretamente associado à sífilis e à sífilis congênita.

Logo, entende-se que para impedir o agravamento do cenário atual, é essencial uma ação entre o Governo Federal, o MS e as mídias digitais, na qual deve-se liberar verbas para a criação de projetos, campanhas ou ficções engajadas, tantos nas escolas quanto nos meios de comunicação, com o objetivo de informar aos cidadãos sobre os aspectos gerais das IST´S e contribuir para a educação sexual de jovens e adolescentes. Sincrônico a isso, cabe às secretárias de saúde, com o apoio do MS, disponibilizar, de forma gratuita, preservativos para indivíduos que não possuem condições de obter, a fim de efetivar o papel da medicina preventiva e combater a transmissão das adversidades realçadas. Dessa forma, o país passará a priorizar o bem estar populacional e a respeitar pilares democráticos contidos na Constituição e que contribuem para a promoção da dignidade humana.