O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 31/10/2019

A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, promulgada pela ONU, garante o direito à saúde e qualidade de vida. Todavia, esse direito nem sempre é usufruído por todos, resultando em uma questão de saúde pública. É o exemplo do número crescente das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), que nos últimos anos atingiu, principalmente, os jovens. Posto isso, é necessário discutir a problemática diante de dois vieses: a mudança no comportamental e a falta de educação preventiva.

A priori, é preciso destacar que há uma mudança social entre os jovens brasileiros. O sociólogo Zygmunt Bauman defende que na sociedade atual prevalece a existência de relações líquidas. De maneira análoga, os jovens tendem a procurar relacionamentos momentâneos e há, portanto, a maior troca de parceiros sexuais. Ademais, essa mudança comportamental também é percebida com as redes sociais, que propagam o empoderamento sexual, enraizando a ideia que o sexo pode ser de forma despreocupada. É o que comprova a PCAP, a qual afirma que 20% dos jovens entre 15 e 24 anos tiveram relação sexual com mais de cinco pessoas no último ano e mais de 44% não usaram preservativos. Esse cenário, evidencia que diferente do século XX, os jovens do século XXI usam o sexo de modo recreativo e consequentemente, maior é a exposição à uma possível DST.

Não obstante, a falta de educação sexual nas escolas é um fator corroborativo para esse panorama. Segundo o Ministério da Saúde, os jovens estão iniciando mais precocemente as relações sexuais, em torno dos 14 anos, havendo assim, a necessidade de que o tema sobre sexualidade seja introduzido mais cedo. Entretanto, o tema ainda é um tabu nas diversas instituições sociais, e há ainda, a ignorância de que falar sobre sexualidade seja ensinar sobre o ato em si, reforçando a não aceitação da discussão desse tema nas escolas. Porém, informações sobre DST’s além de caráter social, são também científicos, e devem ser abordados, portanto, nas grades curriculares de escolas, evidenciando todos seus aspectos sociobiológicos. Tendo em vista que a escola é o melhor Fato Social, como defendia Durkheim, e é por meio dela que os jovens têm maior acesso a esses conhecimentos. Assim, englobando o tema em mais de um fator e trabalhando em questões comportamentais e educacionais.

Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Posto isso, concerne ao Ministério da Saúde junto ao Ministério da Educação, a realização da Semana de Prevenção à DST’s, por meio de campanhas escolares, tal projeto contaria com a exposição do problema e suas formas de prevenção, em que os alunos tivesse contato com profissionais de saúde, incluindo psicólogos, que discutissem sobre os novos comportamentos, objetivando a diminuição da incidência de casos de DST’s.