O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 02/10/2019
As doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) são patologias em que o causador é transmitido, principalmente, por via sexual desprotegida. Sabe-se, por um lado, que os avanços na medicina promoveram melhorias na prevenção e no tratamento delas. No entanto, por outro lado, médicos apontam que esse progresso contribuiu para amenizar a gravidade das enfermidades no inconsciente da juventude e reduzir o medo de contraí-las, o que fez, por exemplo, as infecções por HIV, entre pessoas de 15 a 24 anos, aumentarem em 700% entre 2007 e 2017, segundo dados da “Folha de S. Paulo”. Desse modo, em razão da falta de debate sobre sexualidade na escola e na família, os jovens tornam-se mais suscetíveis à problemática e, nesse sentido, faz-se necessário discutir acerca da pauta.
É importante pontuar, de início, como a negligência do debate sobre sexualidade nas escolas eleva as “DSTs” na juventude brasileira. Isso ocorre, em grande parte, devido à existência de um tabu sobre o tema nos colégios, fruto do falso mito difundido na sociedade de que educação sexual é um dever somente da família, no qual os educadores acabam por não pautar o assunto por temer estimular, precocemente, o início da vida sexual dos mancebos e sofrer, de alguma forma, sanções. Em vista disso, o educandário não torna o jovem consciente quanto às questões sexuais e, por meio da falta de diálogo sobre autoproteção, integridade corporal e sentimentos, facilita o descrédito às doenças supracitadas e o descaso às medidas profiláticas, o que pode levá-lo a contrair o quadro abordado.
É fundamental salientar, ainda, como a falta de diálogo sobre a temática sexual na família fomenta os casos de “DSTs” entre os jovens. Isso ocorre, sobretudo, devido à persistência de uma falsa narrativa no inconsciente dos pais de que sexualidade aprende-se “com a vida”, isto é, na prática, fruto do modo como foram educados, o qual deixou marcas que dificultam a comunicação e a transmissão de conhecimentos e valores sobre o tema aos filhos. Em face disso, a família não ampara o mancebo quanto à prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e, mediante a existência, muita das vezes, de discursos liberais por parte de tios, primos e amigos - no qual o jovem é incitado a aproveitar a fase ao máximo -, facilita a contração delas, o que favorece o dado da “Folha de S. Paulo” supradito.
Portanto, infere-se que a falta de debate sobre sexualidade na escola e na família fomenta as DSTs entre os mancebos brasílios. Dessa maneira, o Ministério da Educação deve, por meio da inserção da temática sexual na grade de ensino, criar condições para a realização de palestras e seminários com sexólogas(os) nas escolas, com a ocorrência de debates afins entre profissionais e alunos, para torna-los aptos a lidar com a vida sexual e evitar as patologias em questão. Dessa forma, o problema poderá ser abordado pelos juvenis em casa, o que aumentará, gradualmente, a redução da problemática.