O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 22/09/2019
O filósofo grego Platão pregava que o importante não é viver a vida, mas sim vivê-la bem. Essa condição de uma vida qualitativa e sadia é constantemente ameaçada pelo crescimento exacerbado de doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens brasileiros, que é resultado da apresentação desse problema como um enraizado tabu social e das falhas políticas de divulgação preventiva dessas patologias, que limitam exponencialmente um mais ativo combate às doenças.
Em primeiro lugar, ressalta-se a educação sexual em posição de tabu como um dos principais fatores que corroboram para a ocorrência das DSTs. Segundo dados da PCAP (Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas), divulgados em 2016, 74,7% dos entrevistados nunca realizaram o teste de HIV na vida, e 21,6% destes acreditam que existe uma cura para a Aids, infelizes estatísticas que comprovam a necessidade de informações que devem ser oferecidas aos jovens, ainda tão pouco discutidas ou trazidas à tona, tanto pelas escolas como pela própria família de princípios conservadores, deixando a juventude em um vácuo informacional e sistematicamente desamparada.
Ademais, a luta contra a prevenção dessas patologias perdeu o medo como aliado no combate, evidenciando a negligência e descrédito dados ao problema, fatores cruciais no surgimento dos 29 mil novos casos de DSTs registrados em 5 anos pela Secretaria de Saúde. Além disso, a banalização e ignorância são agentes importantes associados aos existentes, mas falhos, programas que buscam divulgar as consequências trazidas pelo sexo desprotegido, prática que afeta toda a estrutura brasileira, pois os indivíduos encontrarão dificuldades e preconceitos nas mais variadas áreas sociais, proporcionando outra situação de marginalização a ser resolvida.
Portanto, urge que a sociedade brasileira, junto a órgãos como o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde e as unidades do CRAS a nível municipal, trabalhem com o Ministério da Educação para elaborar diretrizes que visam aumentar a atmosfera informacional para a juventude por meio da educação. Essas diretrizes devem ser aplicadas por meio de debates propostos nas escolas com a presença de profissionais da saúde, utilizando-se também dos alunos como propagadores e participantes das palestras, a fim de munir os indivíduos de saberes e torná-los conscientes. Dessa forma, a população jovem do Brasil poderá gradualmente desfrutar da vida de qualidade descrita por Platão.