O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 30/09/2019
Em “O Clube de Compras Dallas”, o protagonista do filme contrai AIDS após ter uma relação sexual sem preservativo e precisa lutar para sobreviver com a doença. Tal acontecimento não se restringe apenas à ficção, uma vez que, segundo as Nações Unidas, no Brasil a média de aumento dos casos de AIDS é superior a média mundial. Entretanto, além da AIDS, observa-se também outras doenças sexualmente transmissíveis (dsts) crescendo exponencialmente em todo o território nacional, como a sífilis e a gonorreia. Para que esse crescimento diminua, é necessário analisar os fatores que o incentivam e providenciar ações para detê-lo.
A priori, é importante compreender como, mesmo com esforços governamentais, se discute muito pouco sobre as doenças sexuais, principalmente nas escolas. Nessa lógica, para o educador brasileiro Paulo Freire, a educação é teoria posta em prática. Assim, ao não falar sobre as dsts, seus sintomas e as formas de prevenção, o jovem não se informa a respeito das patologias no ambiente escolar e dificilmente realiza tal feito por conta própria. Em consequência, o uso do preservativo — que, de acordo com o Ministério da Saúde é o que mais previne as dsts adquiridas por contato sexual — é pouco praticado, deixando o jovem sexualmente ativo vulnerável. Desse modo, necessita-se discutir as dsts nas salas de aula brasileiras.
Ademais, com a crise econômica atual, o Governo aprovou políticas de austeridade que prejudicam as campanhas federais já existentes em combate às dsts. Sob esse raciocínio, a tipificação da Emenda Constitucional 241, que limita os gastos públicos em saúde por 20 anos é o maior exemplo dessas medidas de contenção de gastos. Apesar de parecer inofensiva, tal política abala o envio de verbas ao Sistema Único de Saúde (SUS), o que prejudica a cobertura e a qualidade do seu exercício. Esse prejuízo é danoso pois as campanhas governamentais de conscientização, a distribuição gratuita de preservativos nos postos de saúde e os tratamentos gratuitos aos doentes são todos veiculados pelo SUS. Logo, reduzindo-se a verba do programa, o serviço ficará sem recursos suficientes para continuar funcionando em combate às dsts.
Infere-se, portanto, que ações precisam ser executadas para que as dsts diminuam no país. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação, em primeiro lugar, insira as dsts dentro da Base Nacional Comum Curricular, para que os jovens possam saber os riscos e reconhecer os sintomas dessas patologias, para poder procurar ajuda médica caso eles se manifestem. Além disso, deve-se revogar a Emenda 241, visto que ela bloqueia o orçamento do SUS, impedindo seu pleno exercício contra às dsts. Destarte, histórias como a de “O Clube de Compras Dallas” serão apenas ficcionais.