O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 17/09/2019
Em 2018, a Netflix lançou um seriado espanhol chamado “Elite” que aborda, além de conflitos adolescentes, um mistério acerca de um assassinato em uma escola particular na Espanha. Dentre os personagens, há uma menina com HIV e é mostrado na série os diversos medicamentos que ela precisa ingerir ao dia, além dos cuidados que é preciso tomar ao ter relações sexuais, mas também é exibido o tabu e o preconceito sobre essa doença sexualmente transmissível quando a família e os colegas de classe descobrem que ela é portadora do vírus da Aids. Não acontece apenas em ficções de televisão, mas também em nosso cotidiano e atualmente, no Brasil, a ocorrência dessas doenças vêm aumentando entre os jovens e a banalização dos males que elas podem acarretar é gravíssimo.
A UNAids, órgão da ONU responsável pelos assuntos sobre a doença, fez uma pesquisa global e mostrou que o Brasil está na contramão do mundo ao ter um aumento no caso de portadores do vírus entre os jovens de 20 a 29 anos. Porém, não é por falta de preservativos, pois o Ministério da Saúde fez uma ampla distribuição e divulgação de seu uso. Assim como na série espanhola, os jovens brasileiros não temem mais as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), portanto, descartam o preservativo nas suas relações sexuais. Com o preservativo em desuso, a Secretaria de Saúde registrou mais de 29 mil novos casos de sífilis, Aids e úlcera genital, por exemplo. Outro dado do Pcap, Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira, mostra que cerca de 21% dos jovens acham que existe cura para a Aids e seis em cada dez jovens fez sexo sem preservativo. Logo, a banalização dos males dessas doenças acrecido de uma constante desinformação faz com que o cenário seja ainda mais preocupante.
Sendo assim, há a necessidade do reforço na grade curricular brasileira, por parte do Ministério de Educação, da pauta sobre educação sexual nas escolas. Além disso, a mídia pode atuar abordando sobre os males que o pouco uso de camisinha pode trazer em jornais, revistas, redes sociais e programas de televisão, como o seriado Elite, por exemplo, retratou o tema. Outra atitude a ser tomada é a elevação do medo sobre essas doenças, pois o mesmo pode criar um marcador somático poderoso no cérebro que são espécies de lembretes que nos guiam na tomada de uma decisão, da visão da neurociência, o medo se alastra mais rápido e é mais eficaz, portanto, é fundamental a fixação dos malefícios através de influenciadores digitais, por exemplo, os quais os jovens assistem frequentemente e tem contatos diários, então podem atuar informando sobre as consequências e sobre os métodos profiláticos, como vacinas e preservativos, a serem tomados para não contrair as DSTs.