O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 17/09/2019

Durante a era das Grandes Navegações, a Sífilis, doença sexualmente transmissível (DST), atingiu grande parte da Europa e ganhou o rótulo de maldição das Américas, visto que, até então, era desconhecida. Hoje em dia, mesmo com as evoluções médicas e o acesso às informações, os índices de DST’s, em especial nos jovens, crescem e continuam a gerar medo assim como no passado.

Observa-se, em primeira instância, que atualmente os meios de comunicação são responsáveis por grande parte das informações recebidas pelos jovens, que não têm o discernimento necessário para saber se são corretas, distorcidas ou incompletas. Enquanto os pais se calam por não ter um relacionamento aberto com os filhos e a escola ainda trata o sexo como tabu, a mídia vende o sexo como mercadoria de consumo, encontrando ávidos fregueses entre os adolescentes. De acordo com a pesquisadora Anita Chandra, os adolescentes recebem uma quantia considerável de informações sobre sexo por meio da TV e a programação geralmente não destaca os riscos e responsabilidades do ato. Desse modo, é imprescindível que meios de orientar os jovens corretamente sejam criados.

Deve-se abordar ,ainda, que o descuido da população e a diminuição da preocupação em relação ao uso do preservativo contribui para o aumento de DST’s. Atualmente, os jovens preocupam-se mais em sentir prazer do que com a prevenção de doenças, como mostra a pesquisa “Juventude, Comportamento e DST/Aids”, realizada pela Caixa Seguros, com acompanhamento do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em que quatro a cada dez brasileiros de 18 a 19 anos, admitiram não usar camisinha em sua última relação sexual, alegando que ela reduz o prazer. Além disso, segundo o infectologista do Hospital Emílio Ribas, Francisco Ivanildo, a evolução do tratamento de HIV, por exemplo, é um fator que eleva a diminuição de hábitos de preservação, pois o individuo consegue conviver com o vírus, deixando de sentir medo de adquirir a doença. Nota-se que é de extrema relevância alertar a população sobre o uso de preservativos.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação investir na capacitação e qualificação de profissionais, tendo como resposta a ampliação do conhecimento, o desenvolvimento de habilidades e a formação de uma consciência crítica. Ademais, as ações educativas devem promover o debate, em palestras ministradas por profissionais da saúde, com a participação não apenas dos alunos, mas das famílias também, com o objetivo de ampliar o diálogo entre pais, filhos e escola, desmistificando o tabu do sexo. Por fim, é papel da mídia investir em propagandas de alerta, ao uso de preservativos, destacando as consequências e informando que, mesmo existindo tratamento para as DST’s, o uso dele é completamente necessário.