O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 26/09/2019
Fred Mercury, cantor da banda Queens, e Cazuza, importante artista brasileiro, são alguns exemplos de vítimas fatais de DSTs. Em 1982, o primeiro caso de AIDS foi identificado no Brasil. Nesse momento, a doença era fatal para a maioria dos portadores, uma vez que as primeiras medicações surgiram apenas em 1995, o que gerou um alerta e comoção que ecoaram pela sociedade brasileira. Porém, o que se observa no limiar do século XXI é uma deturpação dessa preocupação: jovens desconhecem os riscos que correm ao se expor a doenças como Aids, sífilis e úlcera genital. Diante disso, nota-se que essa problemática está intrinsecamente relacionada à insuficiência da educação sexual nas escolas brasileiras além da ineficiência de políticas públicas que priorizem a prevenção de tais doenças.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, com a evolução medicinal no século XXI, as pessoas se sustentam no tratamento e se esquecem da prevenção. Nesse âmbito, o sociólogo Jacques Bossuet defende a ideia de que a saúde depende mais dos métodos preventivos do que, de fato, dos médicos. Desse modo, a sociedade contemporânea parece não ter conhecido os riscos reais de DSTs como a AIDS, negligenciando a sua existência e a utilização de proteção durante relações sexuais. Não apenas isso, mas uma parcela da mesma diz não considerar a AIDS como algo grave, tendo em vista os tratamentos e a possibilidade de viver uma vida quase normal. Prova disso são estudos do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise, que demonstram que cerca de 30% da população diz não ter medo de contrair doenças sexualmente transmissíveis, visto a facilidade de tratamento.
Vale analisar, ainda, a ineficiência do sistema educacional no que tange a proteção e prevenção de DSTS por parte dos jovens. Diante disso, nota-se que o sexo é ainda considerado um tabu pela sociedade brasileira. Assim, muitos pais até mesmo preferem que educação sexual não seja ensinada pela escola e tampouco dialogam com os filhos. Diante disso, uma vez que a iniciação sexual tem começado cada vez mais cedo, os jovens ficam suscetíveis a doenças e gravidez indesejada. Dessa maneira, para proteger os jovens e diminuir os índices de DSTs no Brasil, são necessárias mudanças no sistema educacional brasileiro.
Ao considerar os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para atenuar a contaminação de jovens brasileiros por DSTs. Logo, cabe ao Estado, em conjunto com o Ministério da Educação, investir na formação de profissionais capacitados a ensinar educação sexual aos jovens, tornando-a uma matéria curricular obrigatória em todas as escolas nacionais, de modo a mostrar a importância da prevenção para que as novas gerações não precisem de tratamentos. Dessa forma, será possível garantir uma educação que previna a incidência de casos como os de Cazuza e Fred Mercury.