O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 18/09/2019
A obra modernista “O menino de engenho”, escrita por José Lins do Rego, retrata a vida de Carlinhos, criança que perde sua mãe muito cedo e, por isso, vai morar no engenho do seu avô. Com a chegada da adolescência, o jovem inicia a sua vida sexual e logo contrai gonorreia, uma doença sexualmente transmissível (DST). Analogamente, no Brasil hodierno é crescente o número de casos de adolescentes que contraem DSTs não só pela falta de conhecimento acerca das consequências de tais patologias, mas também pelo restrito uso de preservativos nas relações sexuais. Diante desse cenário, é pertinente uma análise acerca dessa conjuntura de tanto impacto para a sociedade tupiniquim.
Primordialmente, é notório que grande parcela dos jovens brasileiros não têm conhecimento no que se refere às consequências da aquisição de uma DST, fato este que ocasiona a banalização dessas enfermidades, haja vista a despreocupação com o uso de medidas profiláticas. Sob tal ótica, a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) e a sífilis, causadas por vírus e por bactéria, respectivamente, exemplificam duas das principais DSTs mais recorrentes, as quais trazem sequelas para toda a via do portador, afetando, assim, ora a sua vida pessoal, ora a profissional. Dessa forma, o filósofo Immanuel Kant, ao afirmar “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”, ratifica como o processo educativo é essencial para a prevenção de doenças, visto que torna os indivíduos mais conscientes da problemática.
Ademais, o “carpe diem”, ideia bastante presente na escola literária arcadista, valoriza o aproveitamento da vida sem adiamento devido à efemeridade desta. Assim, esse pensamento do Arcadismo pode ser comparado com o de muitos adolescentes, tendo em vista a impulsividade das ações, o que reflete, muitas vezes, em consequências prejudiciais, como a aquisição de uma patologia sexualmente transmissível, a qual é causada pela prática do sexo não seguro - sem o uso de preservativo. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de um milhão de infecções transmitidas pelo sexo são diariamente contabilizadas, dado este que evidencia a falta do uso de medidas de prevenção.
O aumento de DSTs entre os jovens, portanto, é um panorama que deve ser mitigado no país. Logo, cabe ao Governo Federal destinar mais verbas ao Ministério da Saúde para que este, em parceria com o Ministério da Educação, crie projetos de inserção de aulas e palestras acerca das DSTS, com o uso de tecnologias audiovisuais, tanto nas escolas como nas universidades, como objetivo de ampliar o conhecimento dos adolescentes brasileiros sobre tais enfermidades, para que não sejam banalizadas. Assim, a realidade de muitos jovens não será mais comparada com a do menino Carlinhos.