O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 18/09/2019
Em 1530, o poeta Girolamo Fracastoro criou o personagem Syphilis cujo nome foi usado para nomear uma moléstia infecciosa que surgiu repentinamente no século XVI e matou vários europeus com lesões e feridas na pele, assim como o protagonista do poema. Tempos depois, os avanços da ciência propiciaram tratamentos e formas de prevenção para Sífilis e muitas outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), no entanto nota-se um aumento alarmante de casos entre os jovens tanto pela banalização desses males quanto pela falta de diálogo entre eles e a família ou escola.
A priori, percebe-se que o jovem perdeu o medo de contrair alguma IST por causa da facilidade em obter um diagnóstico e por existirem tratamentos eficazes. Por exemplo, desde que a AIDS deixou de ser uma ‘‘sentença de morte’’,ou seja, seus portadores podem tomar remédios e conviver com o vírus, os cuidados com a prevenção diminuíram, principalmente quanto ao uso do preservativo. Isso se evidencia nos dados do Ministério da Saúde os quais mostram que quase metade dos jovens de 15 a 24 anos não usam camisinha (43,4%). Portanto, é notório a negligência em relação as formas de prevenção e a trivialização das infecções o que contribui para aumentar as estatísticas das IST’s.
Outrossim, o sexo ainda é tratado como tabu entre os pais e filhos, consequência disso é a falta de um espaço saudável para dialogar sobre a importância da proteção e do sexo seguro. Tal carência de diálogos e informações compromete a formação conscientizada do jovem, pois sem ampla informatividade prévia não há como o indivíduo se prevenir, nem compreender a importância disso. Dessa forma, os números de casos só tendem a aumentar como mostrado pelos dados do Ministério da Saúde que, só em 2016, foram 38.090 novos casos de AIDS registrados no Brasil e entre os anos de 2014 e 2015, a sífilis adquirida teve um aumento de 32,7%.
Destarte, é evidente a necessidade de conscientizar os jovens a respeito das infecções sexualmente transmissíveis e construir um espaço de debate nas escolas e na família para o combate eficaz dessa problemática. Para isso, é imprescindível uma educação sexual nas escolas com palestras e cursos para jovens e responsáveis a partir de uma abordagem lúdica focando na valorização da vida e nas consequências das doenças. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde junto com a mídia o lançamento de campanhas conscientizadoras que se apliquem a faixa etária do público alvo para uma melhor efetividade. Somente assim, os jovens brasileiros não precisarão passar pelas enfermidades do personagem Syphilis e poderão viver de forma saudável.