O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 18/09/2019

“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência. Essa visão, embora verídica, não é efetivada no hodierno cenário brasileiro, visto o aumento das doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens no país. Isso ocorre, ora pela falta de comunicação sobre o tema no ambiente familiar, ora pela insuficiência governamental em fornecer educação sexual de qualidade.

Primordialmente, cabe destacar que o tratamento da temática sexual como tabu por parte das famílias é fato impulsionador do problema. Muitos responsáveis, motivados por antigos modelos de educação conservadora, evitam discutir quaisquer assuntos relacionados ao sexo no cenário familiar, com medo de que tal ato motive os filhos a inciar as atividades sexuais de forma precoce. Assim, quando Michel Foucault salienta a necessidade de quebra de pensamentos retrógrados, corrobora-se a importância de mudanças nos valores da família.

Convém lembrar, outrossim, que a elaboração da Constituição Federal foi fundamentada no objetivo aristotélico de bem-estar social para todos os indivíduos. Entretanto, é evidente que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor de direitos básicos, evidenciada a falta de educação sexual adequada nas escolas públicas. Essa inaceitável questão de vulnerabilidade dos jovens os expõe à infecção por falta de informação e deve ser modificada em todo o território nacional.

Destarte, medidas são necessárias para solucionar a problemática. Urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) promova a maior democratização do acesso à educação sexual, por meio da inserção do tema na grade curricular das escolas públicas, com aulas ministradas por professores e profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Dessa forma, os jovens poderiam ser conscientizados antes mesmo do início de sua vida sexual, e os ideais platônicos seriam alcançados.