O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 19/09/2019
Em 1987, Cazuza cantava " meu prazer agora é risco de vida". A frase anterior, extraída de um trecho da música “Ideologia”, faz referência a Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), contraída pelo cantor e que acabou levando-o a morte. Nas entrelinhas da canção, o ato do sexo desprotegido foi o responsável pela enfermidade. Mesmo com o avanço dos meios de comunicação, muitos jovens ainda não têm o conhecimento das causas e efeitos das doenças, por conta do conservadorismo da sociedade, que opta por não falar de temas como este, além da falsa de consciência que os jovens têm de que as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) não são perigosas, elevando o índice de portadores de DSTs.
Em primeira análise, vale ressaltar que, de acordo com a PCAP (Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas Brasileiras), cerca de 20% dos jovens acreditam que existe cura para a Aids, evidenciando que as políticas de conscientização já promovidas pelo Estado não atingiram a todos os jovens efetivamente. Além do mais, o Brasil apresenta uma nação altamente moralista, em que, não há diálogo à cerca do assunto sexualidade dentro das próprias famílias, o qual, segundo Foucalt, é um “tema silenciado” pela sociedade, o que faz com que ele seja reprimido de tal forma que aparente não existir. No entanto, a Carta Magna Brasileira diz garantir a redução do risco de doenças, logo, não falar sobre o sexo seguro, além de resultar em ainda mais doentes, é um crime contra a Constituição.
Além disso, o avanço da medicina com os medicamentos, como os “coquetéis”, para pessoas com HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana), tornaram o uso banalizado, de forma que, os jovens não têm medo de adquirir a doença. Diante disso, a UNAids, órgão das Nações Unidas, divulgou um dado alarmante, no qual, o número de soropositivos no mundo diminuiu, enquanto no Brasil, houve um aumento, ou seja, a utilização de preservativos, único modo de prevenção, foi menor. Cuja informação mostra que, atualmente, os adolescentes não veem o quão perigosa qualquer uma das DSTs pode ser.
Em suma, medidas para diminuir os casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis precisam ser tomadas. Iniciando pelas escolas, que em parceria com as famílias dos alunos, devem propor palestras para os adolescentes de 12 à 17 anos, por meio da presença de um profissional da saúde a ser convidado, com intuito de, além de tornar os jovens conhecedores das doenças, estimular o diálogo em torno do assunto no vínculo familiar. Como também, é necessário que a mídia amplie as campanhas de uso de preservativos para todo o decorrer do ano, por intermédio das redes sociais, pois este é o meio mais utilizado pelos jovens e o que garantirá maior adesão. Somente assim, talvez um dia, não haverá mais nenhum caso, como o do cantor Cazuza, no Brasil.