O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 20/09/2019

Nos anos 90,Cazuza,um dos ícones da luta contra a Aids,não se intimidou ao cantar “Eu e meus comprimidos/Babás da felicidade/Como é bom uma droguinha/Que se compra na farmácia”.Apesar do lapso histórico,o panorama atual perpetua problemas de cunho comportamental que podem ser associados ao que fora outrora vivido pelo cantor,sobretudo,a respeito do relaxamento nos cuidados preventivos e de um ensinamento familiar restrito,questões que promovem o enraizamento de impasses relacionados ao aumento de DSTs entre jovens brasileiros.

Em primeira análise,nota-se a negligência dos jovens ao se tratar de métodos de prevenção,que deveriam ser bem mais aproveitados,já que o intuito dos Sistemas de Saúde em geral é trabalhar assiduamente com campanhas televisivas,palestras em instituições educacionais e cartilhas,para evitar o aumento do número de doentes.Nesse viés,a PCAP(Pesquisa de Conhecimentos,Atitudes e Práticas na População Brasileira),divulgou que 6 em cada 10 jovens entre 15 e 24 anos fez sexo sem preservativo no último ano.Desse modo,é perceptível que as doenças passaram a ser vistas como qualquer outra enfermidade crônica,o que faz os vulneráveis crerem numa sobrevida.

Somado a isso,um dos fatores contribuintes para mais casos de sífilis,gonorreia e clamídia,por exemplo,tem origem na resistência familiar ao se discutir sobre o assunto.Nessa lógica,em virtude de todo o pesar e tabu que os envolvidos irão enfrentar,é esperado que os pais ou responsáveis deem credibilidade a outros meios,como a internet,amigos ou ainda a educação sexual na escola,para suprir a dificuldade de lidarem com a situação.Todavia,involuntariamente,abre-se uma lacuna que mais tarde retrocede a vida de milhares de jovens à guisa de um pensamento de Cazuza:“Meu prazer agora é risco de vida”.

Portanto,indubitavelmente,medidas são necessárias para aniquilar esses óbices sociais.Cabe aos profissionais de saúde,em parceria com o SUS(Serviço Único de Saúde) e Ministério da Saúde,criarem postos comunitários de atendimento específico de DSTs,por meio de recursos financeiros cedidos pelo Governo Federal,com o fito de tornar o maior contingente demográfico menos suscetível aos riscos patológicos e mais conscientes quanto ao uso de preservativos.Outrossim,é imperioso que as unidades de saúde local,promovam  reuniões semanais direcionadas aos pais ou responsáveis,por vias presencial ou videoconferência,como forma de incentivá-los a desempenhar o discurso direto com os filhos,a fim de quebrar tabus e evitar transtornos irreversíveis.Ações assim,farão do Brasil uma nação reconhecida pela luta em busca de uma sociedade hígida.