O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 19/09/2019

Atenção defasada

A Constituição Federal de 1988 reconhece a saúde como direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos. Assim, as nocivas infecções sexualmente transmissíveis demonstram desatenção do Sistema Único de Saúde (SUS) e, ainda sofrem com a estagnação das políticas preventivas - um retrocesso, incoerentemente (oni), presente.

No que diz respeito à crise econômica brasileira, hodiernamente, reflete na defasagem dos serviços públicos. Nesse sentido, o precário investimento na área da saúde, especialmente em regiões menos favorecidas, facilita o recrudescimento de doenças, visto que faltam profissionais e medicamentos específico para combater os inúmeros patógenos que atormentam a população. Por esse viés, a bactéria Treponema pallidum caracteriza-se causadora da sífilis, uma infecção sexualmente transmissível que acompanha a humanidade há milhares de anos. A moléstia já foi endêmica, porém tornou-se curável no século passado com a penicilina e pode ser prevenida com o uso de preservativos.

No entanto, os casos de padecimento aumentaram nos últimos anos e subiram 48% de 2016 para 2017, uma epidemia que acompanha a desigualdade da sociedade brasileira, de modo que atinge os mais vulneráveis. Nesse cenário, os jovens têm se destacado como alvo da infecção e com a tendência de censura aos temas de saúde e sexualidade nas escolas, a situação pode piorar. Além disso, a indústria farmacêutica, que é negligente à sífilis em função do baixo custo do medicamento, promove o desabastecimento mundial de penicilina e não realiza pesquisas para novas formas de profilaxia. Por conseguinte, este recorte deve ser extremamente combatido por um Estado que se pretende eficaz em proporcionar condições saudáveis de vida a seus cidadãos.

Infere-se, pois, que as esquecidas doenças sexualmente transmissíveis conclamam políticas públicas ativas. Dessa forma, o Governo, juntamente com o Ministério da Saúde precisam investir na atenção primária da saúde, por meio da prevenção e distribuição em massa de preservativos, principalmente antecedendo o carnaval, bem como o incentivo às pesquisas para novos tratamentos, a fim de que garantam seus princípios de acesso universal e igualitário. E, o Ministério da Educação deve proporcionar atividades didáticos pedagógicas, através de profissionais especializados, sobre temas que relacionem saúde e sexualidade, para que os adolescentes saibam a importância da precaução. Logo, será fácil contornar essa problemática discrepante aos preceitos constitucionais e morais.