O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 27/09/2019

Na música “Ideologia”, Cazuza declara em um dos trechos que o prazer de sua vida sexual passou a se tornar um risco de vida, alusão feita por ele por ter sido contaminado pelo vírus do HIV. De maneira análoga, percebe-se que uma parcela da juventude está se tornando refém do quadro descrito pelo cantor seja pela mudança comportamental, seja pela banalização das doenças.

Em primeiro lugar, os jovens passaram por diversas transformações socioculturais que os instigaram a terem uma vida sexual ativa e cada vez mais cedo. Uma das influências dessas mudanças comportamentais ficou conhecida como “Revolução sexual”. Esse fenômeno ocorreu nas décadas de 1960 e 1970, e seu objetivo era quebrar tabus em torno da sexualidade e trazer maior liberalidade do sexo fora das relações tradicionais. No entanto, tal mudança de comportamento torna-se um risco a saúde quando essas relações são feitas de maneira não segura, ou seja, sem o uso de preservativos. Pretextos como redução do prazer e dificuldade em relação ao uso, são causas que corroboram para o aumento de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). De acordo com o Ministério da Saúde, os casos de HIV e Aids entre jovens de 15 e 24 anos aumentou 85% os últimos dez anos.

Em segundo lugar, é fato que o auge das mortes por DSTs ocorreram no passado, tendo em vista o pouco acesso a informação e a falta de métodos de segurança ou de tratamento daqueles que já possuíam tais moléstias. Hodiernamente, com os avanços medicinais, se faz possível ter uma vida normal possuindo alguma doença sexualmente transmissível, mesmo que seja árduo por conta dos tratamentos. Entretanto, tal avanço tem sido usado como justificativa pelos jovens, majoritariamente de forma inconsciente, para persistirem na pratica insegura do sexo, haja vista que as mortes já não fazem parte intrínseca de suas realidades, pois de acordo com o Ministério da Saúde, a mortalidade por doenças venéreas teve redução de 42% desde 1995. A banalização dessa situação é o contraste da negligência e a falta de conhecimento a respeito das consequências, mesmo com os avanços medicinais, por parte da sociedade.

Diante do exposto, portanto, o questionamento que fica é como intervir de maneira mais eficiente para a mudança dessa conjuntura. Nesse viés, uma possível transformação desses fatos poderia ser alcançada por parte do Ministério da Educação (MEC), instituindo nas escolas, palestras ministradas por profissionais da saúde, alertando os jovens sobre os riscos do sexo inseguro e, também, dar oportunidade para voluntários possuintes de DSTs, expor ao público jovem, ainda que com avanços medicinais, as dificuldades de se viver sob constantes tratamentos. Dessa forma, a juventude brasileira não viverá a triste realidade do cantor Cazuza, morto pelo choque séptico causado pela aids.