O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 20/09/2019

Na obra “O banquete”, de Platão, um dos personagens afirma que há dois tipos de amor, sendo um deles a deusa popular, que se faz muito presente nos jovens, e se caracteriza por ser a paixão carnal, a busca incessante pelo prazer. Essa carência insaciável gera a priorização do desejo e, por isso, muitos indivíduos ignoram os cuidados que devem ser tomados para evitar a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. Concomitantemente, ocorreu o aumento de casos hospitalares relacionados a essa questão, devido, principalmente, à negligência governamental e ao precário conhecimento social acerca do assunto.

Em um primeiro plano, é possível perceber que a inadvertência do governo acentua a ocorrência de DST’s entre jovens no Brasil. O economista britânico Arthur Lewis afirmou que “a educação não é despesa, mas um investimento com retorno garantido”. Entretanto, o Estado não aplica capital suficiente nos colégios públicos e devido a isto, muitos setores educacionais são negligenciados, como o ensino sexual. Dessa forma, o descuido governamental gera o desconhecimento acerca dos métodos contraceptivos e sua importância, o que facilita casos de doenças relacionadas a essa questão.

De forma análoga, vale destacar que a incompreensão populacional acerca das DST’s intensifica esta mazela. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis se dá pois, com o desenvolvimento do tratamento para estas, as pessoas deixaram de temê-las. A partir disto, percebe-se que a ausência do medo suscita a falta de cuidado para evitar o contágio. Porém, parcela da sociedade não compreende que apesar de haver recursos terapêuticos, muitas dessas enfermidades não tem cura. Sendo assim, apesar da evolução medicinal, os cuidados contra a transmissão ainda são essenciais, mas este é um fato que a maioria dos indivíduos desconhece, o que facilita o aumento de casos hospitalares.

Torna-se evidente, portanto, a importância de se combater o crescimento de DST’s entre jovens no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação criar medidas pedagógicas, por meio de mudanças na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estimulem a educação sexual, a fim de mitigar o desconhecimento acerca dos métodos contraceptivos. Junto a isso, urge que o mesmo órgão, por intermédio de verbas governamentais, realize campanhas de conscientização nas redes sociais que valorizem a importância de evitar o contágio, com o objetivo de reduzir a ausência do medo em relação a estas enfermidades. Dessa forma, a sociedade brasileira tornar-se-á mais consciente, com o propósito de evitar o aumento de doenças sexualmente transmissíveis no território nacional.