O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 26/09/2019
No filme “Escritores da Liberdade”, de Richard LaGravenese, são retratadas diversas histórias de vida de jovens carentes, de famílias desestruturadas e que, por consequência, acabaram caindo no mundo das drogas, crime e sendo vítimas de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). Paralelamente, essa é uma realidade no Brasil, tendo em vista que a camada mais pobre é a mais afetada por DSTs, seja pela ausência da família na vida dos jovens, seja por ignorância dos mesmos com relação ao assunto. É evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de solucionar o impasse.
Em primeiro lugar, é preciso destacar o contraste entre o pensamento do filósofo Sócrates com o cenário brasileiro. Nas palavras do pensador, “O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar o seu caráter.” Não obstante, uma das características dos que têm entre 20 e 29 anos no país é de serem o perfil predominante de indivíduos infectados por DSTs (dados: Secretaria da Saúde) - o que é lamentável, pois o vírus HIV, por exemplo, acaba por destruir o sistema imunológico (linfócitos) da pessoa, tornando-a tão vulnerável a ponto de correr risco de vida. E isso se agrava à medida com que os pais passam a não ter conhecimento sobre a vida dos filhos, principalmente devido à rotina corrida e à falta de abertura que pais e filhos têm um com o outro, haja vista que muitos responsáveis sequer sabem da vida sexual ativa que seus filhos possuem, tornando as chances de prevenção ainda menores.
Em segundo lugar, pode-se caracterizar o problema das DSTs como uma anomia, pois uma “ausência de ordem” no Estado é o que gera o problema. Não só a ausência familiar, mas a carência de conhecimento acaba por afetar os jovens, pois, segundo dados da Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 2013, 21,6% dos jovens pensam que há cura para a aids, o que se torna uma “pedra no meio do caminho”, como escreveu Drummond, por deixar essa parcela da população tranquilizada quanto aos cuidados e não terem noção da gravidade do problema. Assim, é essencial um investimento maciço em instrução aos jovens para quebrar tal falácia.
Urge, portanto, que os pais se comprometam em participar mais ativamente da vida dos filhos, e os instruam a respeito do uso de preservativos nas relações sexuais. Além do mais, as escolas devem, por meio de palestras e conversas durante as aulas (em especial nas de Biologia), trabalhar os riscos de se contrair DSTs, as consequências das doenças e sua prevenção, a fim de mantê-los conscientes. Por fim, com a manutenção da distribuição de preservativos e campanhas, reverter-se-á o quadro.